Pesquisa baseada na PNAD Contínua traçou um perfil do microempreendedor brasileiro e projetou o cenário econômico para os próximos quatro anos
Investir em políticas públicas de apoio aos microempreendedores pode injetar pelo menos R$ 180,7 bilhões na economia brasileira nos próximos quatro anos. Esse é o principal achado do estudo “Todos Podem Empreender – Tese de Impacto para Inclusão Produtiva e Crescimento do PIB até 2030”, lançado pelo Programa Empreender 360 da Aliança Empreendedora. Baseada na PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), a projeção estima o impacto financeiro caso o país consiga acelerar o ritmo de apoio e formalização de micro negócios em 10 pontos percentuais acima da tendência atual. A análise serve de embasamento para as atividades, propostas de capacitações e políticas de apoio ao ecossistema empreendedor.
Apresentado formalmente ao público e autoridades federais presentes na cerimônia de abertura do 8º Fórum Brasileiro de Microempreendedorismo, realizado em Brasília, o estudo funciona como um raio-X do ecossistema empreendedor, em especial da base da pirâmide. Mais do que traçar uma análise do cenário macroeconômico, ele comprova que o empreendedorismo de base é uma das ferramentas mais rápidas e eficazes para a superação da pobreza.
Houve um salto de 20,25% na quantidade de microempreendedores no Brasil entre 2016 e 2025, período da pesquisa. Em números absolutos, o crescimento representa mais 4,7 milhões de brasileiros atuando como empreendedores. Esse dado ganha mais relevância quando sabemos que 65,3% deles seguem atuando na informalidade. “Se pegarmos o número de empreendedores que ainda não formalizaram seus negócios – algo em torno de 18 milhões –, há um campo enorme para atuar e fomentar a ação empreendedora de forma segura e digna no país”, enfatiza Mariane Rodrigues, Líder de Advocacy e Relações Governamentais do Programa Empreender 360 da Aliança Empreendedora. “A formalização casada com outras políticas públicas é uma potente ferramenta de inclusão produtiva e proteção social das populações mais desamparadas, uma vez que as chances de superar as condições de pobreza aumentam muito quando a atuação profissional é formalizada. Dados desse estudo apontam um aumento de renda pós-formalização de, em média, 9,5%, mas para que isso se torne realidade especialmente para empreendedores na base da pirâmide, essa jornada precisa ser acompanhada e orientada com qualidade, pois o CNPJ sozinho não transforma a vida”, complementa.
De acordo com o estudo, profissionais que formalizaram seus negócios tiveram 20,4 pontos percentuais a mais de chances de superar a faixa de renda de até US$ 3,65 por dia – o equivalente a cerca de R$ 560 mensais – no ano seguinte ao da formalização. A abertura de CNPJ, por si só, não provoca esse salto, mas oferece ao empreendedor ferramentas para o desenvolvimento do negócio e aumento de sua renda, como acesso aos direitos previdenciários, a possibilidade de emitir notas fiscais e a abertura de novos mercados de venda.
Perfil demográfico
O estudo analisou a PNAD Contínua ao longo de quase uma década, desenvolvendo um modelo econométrico inédito, com o acompanhamento dos dados relacionados ao ecossistema microempreendedor entre 2016 e 2025. Segundo a análise, o microempreendedorismo é o segundo maior bloco de ocupação profissional do Brasil, com um contingente de 27,9 milhões de pessoas, entre formais e informais ativos. O setor, que foi responsável por R$ 43 bilhões do PIB, em 2025, é formado principalmente por homens (65%), entre 30 e 59 anos (70,3%), negros (54,1%) e brancos (44,5%). Mesmo com essas características delineadas, houve um crescimento no número de mulheres líderes de empreendimentos (de 32,1% para 34,4%); um envelhecimento moderado, com a taxa de idosos alcançando 14,7% (no início da série eram 12,1%); e uma leve diminuição na parcela de pessoas que se declaram negras (de 54,6% para 54,1%).
Em relação ao nível de escolaridade, houve uma variação significativa em dois grupos. Os profissionais com ensino fundamental incompleto, que eram maioria no início do estudo (cerca de 35%), caíram para menos de 25%, em 2025. Já os empreendedores com ensino superior completo saltaram de cerca de 12% para mais de 20%.

