Luciano Freitas, que também passou pela Hotmart e foi cofundador da Facily, estará no Global Tech Wekeend Tbilisi (GTW), na Geórgia, de 19 a 21 de junho; o evento ganhou relevância por conectar mercados emergentes e novos polos de tecnologia fora dos grandes centros tradicionais
O brasileiro Luciano Freitas, executivo com passagens por Airbnb, Uber e Hotmart, levará ao Global Tech Weekend Tbilisi 2026, na Geórgia, uma crítica direta ao modelo de crescimento que domina o ecossistema global de startups há mais de uma década. Segundo ele, muitas empresas se tornaram eficientes em comprar crescimento via mídia paga, aquisição acelerada e capital abundante, mas falham em construir operações sustentáveis, uma cultura sólida e percepção real de valor. O GTW Tbilisi 2026, que acontece de 19 a 21 de junho, reunirá founders, investidores, startups e executivos de países da Europa Oriental, Cáucaso e Ásia Central. A edição reunirá 20 mil participantes, mais de 200 speakers globais e side events ligados a IA, venture capital, blockchain e inovação.
Hoje CEO e sócio-fundador da agência de negócios Aftermoon, Freitas avalia que o mercado criou uma geração de empresas extremamente eficientes em gerar volume, mas frágeis quando o assunto é diferenciação, consistência e capacidade de sustentar crescimento sem depender continuamente da compra de atenção. “O mercado aprendeu a gerar volume, mas não necessariamente a construir empresa. Quando o capital ficou mais caro, muitas startups descobriram que cresciam mais rápido do que conseguiam suportar”, afirma.
Durante anos, diz, o ecossistema premiou operações capazes de acelerar aquisição, mídia e expansão de usuários, enquanto cultura, construção de marca, alinhamento interno e sustentabilidade operacional ficaram em segundo plano. “O problema não está no crescimento em si, mas na dependência excessiva de tráfego pago e aquisição artificial para manter a operação viva.” Segundo Freitas, parte do mercado ainda vive numa lógica de guerra permanente por atenção, em que empresas competem apenas por mídia, desconto e escala, criando relações frágeis com consumidores.
“De nada adianta comprar atenção sem criar vínculo afetivo. Se um concorrente oferece algo um pouco melhor ou mais barato, acabou”, sentencia. Ele cita marcas como Disney, Rolex, Apple e McDonald’s como exemplos de empresas que conseguiram transformar produto em pertencimento, experiência e construção simbólica. “Rolex não é um relógio; é um Rolex. A Apple não dá desconto porque construiu marca”.
O Uzbequistão e uma geração descobrindo startups
Em maio, Luciano Freitas esteve em Tashkent, no Uzbequistão, participando de mentorias e encontros promovidos pelo próprio ecossistema do GTW. Durante a viagem, ele mentoreou cerca de 20 jovens empreendedores ligados a nove startups locais, em áreas como educação, healthtechs e gestão imobiliária. O executivo avalia que o ecossistema ainda é embrionário, mas extremamente interessado em inovação, empreendedorismo e expansão internacional. “O país ficou fechado até 1991 e avançou muito rápido economicamente nos últimos anos, mas ainda está construindo o ecossistema de tecnologia”, afirma. O executivo também integrou uma mesa redonda no Ministério das Tecnologias Digitais do Uzbequistão para discutir o potencial do país em inovação e startups. O governo local reservou US$ 5 milhões para investimentos em startups neste ano.

