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Exportações em alta expõem o atraso operacional das empresas brasileiras e aceleram a adoção de tecnologia no Comex

Créditos da imagem: Divulgação

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Com superávit de US$ 1,5 bilhão registrado em uma única semana de junho, o Brasil exporta mais — mas ainda opera com processos manuais. O caso Hinode-Flowls mostra como empresas estão respondendo a essa contradição.

O comércio exterior brasileiro avança em ritmo acelerado. Na segunda semana de junho de 2026, o país registrou superávit de US$ 1,5 bilhão, corrente de comércio de US$ 15,4 bilhões, com exportações de US$ 8,4 bilhões e importações de US$ 7 bilhões, segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). Os números sinalizam uma economia que exporta mais — mas que ainda não modernizou a infraestrutura operacional que sustenta esse volume.

A contradição é conhecida por quem opera no Comex: enquanto o fluxo de mercadorias cresce, os bastidores das exportações  especialmente para a América Latina  continuam dependentes de processos manuais, planilhas paralelas, comunicação descentralizada e rastreamento fragmentado. O resultado são custos evitáveis, retrabalho e decisões tomadas com dados incompletos.

Esse gap entre o volume exportado e a maturidade operacional das empresas é o terreno onde uma nova geração de soluções de gestão logística começa a ganhar tração no mercado brasileiro.

Do Comex 1.0 ao Comex 3.0

Especialistas do setor identificam uma evolução em estágios na forma como empresas brasileiras conduzem suas operações de comércio exterior. O Comex 1.0 foi marcado pelo papel e pelo controle presencial. O Comex 2.0 digitalizou documentos e transferiu planilhas para a nuvem. O Comex 3.0 — conceito ainda em consolidação no mercado — propõe integração real: visibilidade end-to-end, automação de etapas burocráticas, alertas em tempo real e tomada de decisão baseada em dados.

A transição, porém, não é trivial. Empresas com operações em múltiplos países e diferentes regimes aduaneiros enfrentam uma camada adicional de complexidade. Para quem exporta para mercados como México, Chile, Colômbia e Paraguai simultaneamente, a fragmentação operacional não é apenas ineficiente — é um risco.

Um caso em andamento

A Hinode, multinacional brasileira do segmento de beleza, fragrâncias e bem-estar, é um dos exemplos recentes dessa transição. Com 7 operações de exportação simultâneas para a América Latina, a empresa adotou a plataforma da Flowls para construir o que internamente denominou Torre de Controle — uma estrutura de gestão integrada que centraliza todo o fluxo de comércio exterior em uma única interface.

O projeto, ainda em andamento, já apresenta resultados mensuráveis: 59% de redução no fluxo burocrático de exportação, eliminação de controles paralelos e dashboards segregados, e implantação de um check list automático parametrizado por tipo de carga e modal mecanismo que passou a atuar como camada de controle de qualidade na operação.

“Gerenciar a complexidade logística e regulatória de múltiplos mercados na América Latina exige um nível de precisão que as planilhas tradicionais já não conseguem entregar. A implementação da Torre de Controle nos deu a previsibilidade necessária para antecipar gargalos e tomar decisões estratégicas baseadas em dados consolidados em tempo real, transformando o Comex em um motor de eficiência para a expansão internacional da Hinode”, afirma Mayara Caetano, Gerente de Comex e Projetos Latam na Hinode.

“O que observamos no mercado é que a maioria das empresas exportadoras ainda opera com um nível de visibilidade muito aquém do que a velocidade atual do Comex exige. A Torre de Controle que construímos com a Hinode não é uma solução isolada — é um reflexo de uma demanda estrutural que está se tornando urgente para qualquer empresa que queira escalar suas exportações com segurança operacional, comenta Anna Valle,   COO da  Flowls

O que esse movimento indica

A adoção de plataformas integradas de gestão logística por empresas exportadoras de médio e grande porte sinaliza uma mudança de percepção: o Comex deixou de ser tratado como função de back-office para se tornar uma variável estratégica. Visibilidade operacional, rastreabilidade e automação de compliance passaram a ser requisitos, não diferenciais.

Para o mercado de tecnologia voltado ao comércio exterior, a janela de oportunidade é significativa. Com o Brasil mantendo trajetória de crescimento nas exportações e empresas pressionadas por margens mais apertadas e maior complexidade regulatória na América Latina, a digitalização profunda das operações de Comex deixou de ser tendência e passou a ser condição de competitividade.

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