Empresa iniciou adequação em janeiro, antes mesmo da regulamentação do decreto, e investiu cerca de R$ 200 mil para incorporar material reciclado pós-consumo em embalagens de sacos para lixo
Cada vez mais as empresas brasileiras priorizam o cuidado com o meio ambiente. E precisam se adequar às novas exigências da economia circular. A Extrusa-Pack já opera acima da meta inicial estabelecida pelo Governo Federal para a incorporação de plástico reciclado em embalagens. A fabricante passou a utilizar 30% de PCR (Plástico Reciclado Pós-Consumo) em suas embalagens de sacos para lixo produzidas internamente, índice superior aos 22% exigidos na primeira etapa do Decreto Federal nº 12.688/2025, que institui o Sistema Nacional de Logística Reversa de Embalagens Plásticas.
O diferencial é que a empresa iniciou esse processo em janeiro de 2026, antes mesmo da regulamentação da norma. A partir de agosto, fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes passam a cumprir novas regras federais relacionadas à recuperação de embalagens plásticas e à incorporação de resina reciclada em seus produtos.
“Quando tivemos conhecimento da legislação, iniciamos imediatamente o processo de adequação, mesmo sem a regulamentação estar concluída. Hoje já estamos acima da meta inicial prevista pelo governo e preparados para os próximos avanços da legislação”, afirma Gisele Barbin, Head de Vendas da Extrusa-Pack.
A iniciativa contempla toda a linha de sacos para lixo produzida pela companhia, incluindo embalagens fabricadas para marcas próprias do varejo. Desde o início do ano, os produtos passaram a exibir selo informando a utilização de material reciclado pós-consumo, oferecendo mais transparência ao consumidor.
Para viabilizar a mudança, a empresa realizou investimentos próximos de R$ 200 mil. O valor inclui a reciclagem de estoques antigos de embalagens, a substituição de mais de 50 clichês flexográficos – matrizes utilizadas no processo de impressão das embalagens – e o desenvolvimento de formulações capazes de incorporar o material reciclado sem comprometer a resistência, a aparência ou a qualidade da impressão.
“Nosso desafio foi desenvolver um produto que mantivesse o mesmo padrão de qualidade. Investimos meses em pesquisa e testes para garantir que a utilização do PCR não alterasse a coloração, a impressão ou o desempenho das embalagens”, explica Gisele.
Economia circular e inclusão social
A matéria-prima reciclada utilizada pela Extrusa-Pack é adquirida de cooperativas de reciclagem da região de Guarulhos (SP). Além de reduzir a utilização de resina virgem, a iniciativa fortalece a cadeia da reciclagem e gera impacto social positivo por meio da valorização do trabalho dos catadores e cooperados.
A empresa também mantém parceria com o programa Eureciclo para compensação ambiental de parte das embalagens produzidas, antecipando-se às futuras exigências de logística reversa previstas na legislação.
A nova regulamentação busca transformar embalagens descartadas em matéria-prima para novos produtos, promovendo um modelo de economia circular. Em 2026, as empresas deverão recuperar o equivalente a 32% das embalagens plásticas colocadas no mercado. O percentual aumentará progressivamente até atingir 50% em 2040.
Segundo dados do setor, o Brasil gera cerca de 4,8 milhões de toneladas de resíduos plásticos por ano, mas apenas aproximadamente 25% retornam à indústria por meio da reciclagem. O novo marco regulatório pretende ampliar a coleta seletiva, fortalecer cooperativas e estimular o uso de resina reciclada em toda a cadeia produtiva.
Para Gisele Barbin, a sustentabilidade precisa estar alinhada à realidade econômica dos consumidores. “Conseguimos incorporar material reciclado sem repassar custos adicionais ao mercado. O consumidor recebe um produto mais sustentável, sem diferença de preço ou qualidade. Esse é um passo importante para tornar a economia circular viável em larga escala”, conclui.

