Padronização de processos, revisão de cadastros governança das informações ajudam hospitais, clínicas e operadoras a reduzir glosas, retrabalho e atrasos no atendimento
A falta de padronização e os problemas na qualidade dos dados estão entre as principais fontes de desperdício no setor de saúde suplementar. Estimativas apresentadas pela especialista em governança de dados e eficiência operacional Alice Norberto Saraiva indicam que falhas administrativas, glosas evitáveis e inconsistências cadastrais podem comprometer até 15% da receita de hospitais.
O impacto vai além das perdas financeiras. Informações incompletas ou incorretas podem atrasar autorizações, dificultar o acompanhamento de contratos e prejudicar decisões estratégicas em hospitais, clínicas e operadoras. Em algumas instituições, as equipes administrativas chegam a gastar cerca de 40% do tempo corrigindo informações e cruzando dados entre sistemas que não se comunicam adequadamente.
Para Alice Saraiva, a discussão sobre inovação precisa começar pela organização da operação.
“A qualidade dos dados deixou de ser uma questão de compliance para se tornar um diferencial competitivo de operadoras e hospitais”, afirma.
A especialista também alerta que a adoção de ferramentas de inteligência artificial não resolve, sozinha, problemas estruturais. Quando as bases de dados apresentam inconsistências, sistemas automatizados podem apenas reproduzir os erros em uma velocidade maior. A recomendação é que as instituições revisem fluxos, padronizem procedimentos e criem mecanismos permanentes de controle antes de investir em novas tecnologias.
Com oito anos de experiência na área administrativa, quatro deles dedicados à gestão de processos em saúde, Alice participou de projetos de otimização durante sua atuação na Unimed-BH. Em uma carteira de beneficiários processada majoritariamente de forma manual, menos de 30% dos contratos eram concluídos dentro do prazo considerado adequado.
A implantação de fluxos padronizados e controles de qualidade reduziu em 70% o retrabalho provocado por inconsistências cadastrais e eliminou 90% das atividades manuais envolvidas na operação, segundo os resultados apresentados pela especialista.
A experiência também evidenciou como um erro cometido no início do processo pode gerar consequências meses depois. Um dado cadastral registrado de forma incorreta pode resultar em uma glosa financeira, dificultar o faturamento ou até atrasar a autorização de um tratamento.
A metodologia desenvolvida por Alice combina conceitos de Lean Management, Six Sigma e governança de dados em saúde. O trabalho começa com o diagnóstico da operação e o mapeamento dos fluxos, passa pela identificação de gargalos e termina com a implantação de mecanismos de controle e acompanhamento dos processos.
Na avaliação da especialista, melhorar a sustentabilidade financeira das instituições de saúde não significa apenas cortar despesas. Também é necessário identificar perdas que não aparecem nos controles tradicionais. A organização dos dados e a revisão dos processos podem fortalecer o ciclo de receita, reduzir desperdícios e contribuir para um atendimento mais rápido e seguro aos pacientes.
Sobre Alice Norberto Saraiva
Alice Norberto Saraiva é administradora de empresas especializada em eficiência operacional, governança de dados e gestão de processos no setor de saúde. Com experiência nos mercados financeiro e de saúde suplementar, desenvolve metodologias voltadas à redução de falhas administrativas, à mitigação de glosas e à melhoria do ciclo de receita de operadoras, hospitais e clínicas.

