Leandro Vieira Coelho, gerente de Marketing Workwear da Cedro Textil, detalha como ocorre a fraude e orienta formas de verificação da autenticidade
A falsificação de tecidos voltados à confecção de vestimentas NR 10 tem avançado de forma silenciosa e preocupante no mercado brasileiro, com impactos diretos na segurança de trabalhadores e na integridade da cadeia produtiva. Práticas irregulares envolvem desde a produção de materiais que não atendem às normas técnicas até o uso indevido de certificados legítimos em produtos não homologados, o que dificulta a identificação por parte de quem compra e utiliza esses equipamentos. Nesta entrevista, Leandro Vieira Coelho, gerente de Marketing Workwear da Cedro Textil, detalha como essas fraudes acontecem, como podem ser identificadas e quais são os riscos e prejuízos associados a esse tipo de prática.
1. Onde começa a falsificação de tecidos?
A falsificação começa em tecelagens que comercializam tecidos “resistentes à chama” de baixa qualidade, que não atendem às normas exigidas para a fabricação de vestimenta NR 10, um tipo de Equipamento de Proteção Individual (EPI). Esses tecidos não possuem Certificado de Aprovação (CA), pois nunca foram submetidos aos ensaios oficiais com esses materiais.
2. Quais são as fraudes mais comuns?
A fraude mais frequente ocorre quando fabricantes de vestimentas NR 10 utilizam tecidos de segunda linha, que não atendem aos requisitos de segurança, mas aplicam etiquetas com o número de CA obtido originalmente com tecidos da Cedro. Ou seja, usam um CA legítimo em um tecido que não foi aprovado.
3. Como a indústria identifica um tecido falsificado?
A identificação é feita por meio da marca d’água. Os tecidos originais devem apresentar, no verso, o nome do tecido e da tecelagem, garantindo rastreabilidade e autenticidade.
4. Existe diferença perceptível para quem compra?
A diferença só pode ser observada no lado avesso da vestimenta, onde aparece a marca d’água que identifica o tecido original. Esse tecido deve ser o mesmo descrito no Certificado de Aprovação de Equipamento de Proteção Individual (Caepi).
5. Qual o impacto econômico da falsificação?
Gera concorrência desleal no mercado e configura crime de falsificação, afetando toda a cadeia produtiva.
6. Há risco para a segurança?
Sim. Tecidos falsificados não atendem às normas de segurança, colocando em risco a integridade física dos trabalhadores que dependem dessa proteção. Além disso, a alteração do tecido cancela o C.A e a vestimenta deixa de ser um EPI, ficando a empresa exposta a ações trabalhistas.
7. O que a indústria está fazendo para combater o problema?
A Cedro aprimorou sua marca d’água, tornando-a mais nítida e resistente às lavagens. Assim, a autenticidade da vestimenta pode ser verificada durante toda sua vida útil. Além disso, a Cedro é a única que garante que a sua tecnologia FR (Flame Resistant – Resistente à Chama) permanece eficaz mesmo após repetidas lavagens.
8. Como o consumidor pode se proteger?
A orientação é que engenheiros e técnicos de segurança fiscalizem regularmente as vestimentas utilizadas. Para apoiar esse processo, a Cedro produziu um vídeo explicando como realizar essa verificação de forma correta.

