Ícone do site Economia S/A

Falta de clareza nas decisões trava crescimento e encarece a operação das empresas

Robson Araújo - Créditos da foto: Divulgação

Robson Araújo - Créditos da foto: Divulgação

Especialista em crescimento empresarial afirma que a ausência de estrutura na tomada de decisão compromete produtividade, previsibilidade e capacidade de expansão dos negócios

A pressão por produtividade, eficiência operacional e respostas mais rápidas tem ampliado um desafio recorrente dentro das empresas: o excesso de informação sem organização suficiente para apoiar decisões estratégicas. 

O Work Trend Index 2025, da Microsoft, mostra que 80% dos líderes consideram este um ano decisivo para repensar estratégia e operações, em meio à aceleração tecnológica e à exigência por mais agilidade na execução. Nesse contexto, o problema para muitas empresas não está na ausência de dados, mas na dificuldade de transformá-los em direcionamento prático.

Para Robson Araujo, CEO da SmartSolve, especialista em crescimento empresarial, retenção de clientes e tomada de decisão estratégica, o acúmulo de informações sem método tem levado empresários a decisões reativas, que aumentam desperdícios e dificultam o crescimento sustentável. 

Idealizador do XYellow Club, ecossistema de desenvolvimento empresarial voltado a empresários que buscam crescimento estruturado, previsibilidade e posicionamento estratégico, Robson atua diretamente com líderes que enfrentam desafios ligados à expansão, organização e clareza na condução dos negócios.  “O empresário brasileiro, muitas vezes, está cercado de relatórios, números, opiniões e indicadores, mas continua sem clareza sobre o que realmente exige decisão. Quando a empresa opera por urgência, a tendência é pagar mais caro por erros, retrabalho e escolhas mal priorizadas”, afirma.

O debate ganha relevância em um momento em que empresas de diferentes portes buscam elevar produtividade com apoio de tecnologia e revisão de processos. Programas como o Brasil Mais Produtivo, iniciativa apoiada pelo governo federal e Sebrae para transformação operacional de micro, pequenas e médias empresas, reforçam a necessidade de gestão mais estruturada como caminho para competitividade.

Segundo Robson, essa dificuldade aparece com frequência entre empresários que já validaram seus modelos de negócio, mas ainda enfrentam obstáculos para transformar crescimento em previsibilidade. No XYellow Club, ambiente onde empresários discutem desafios reais de gestão, cultura, relacionamento e expansão, a percepção recorrente é de que muitas empresas continuam operando de forma reativa, sem critérios claros para priorização. “Muitos empresários confundem movimento com gestão. Estão ocupados o tempo inteiro, respondendo demandas, resolvendo problemas, acompanhando números, mas sem um processo claro para decidir o que realmente impacta no resultado. Isso cria um ciclo de desgaste operacional. O problema não é falta de informação, é excesso sem direção. Empresas que não estruturam decisão operam por urgência e pagam caro por isso”, afirma.

Na prática, esse comportamento afeta desde contratações precipitadas até investimentos mal calibrados, expansão sem sustentação financeira e falhas na retenção de clientes. “Decisão ruim raramente nasce da falta de esforço. Normalmente, ela nasce da falta de estrutura. Quando não existe critério, a empresa responde ao barulho mais alto do dia, não ao que é estratégico”, diz Robson.

Para o especialista, maturidade empresarial passa por criar mecanismos que organizam a leitura do negócio e reduzem decisões impulsivas. Isso inclui definição de indicadores realmente relevantes, rituais de acompanhamento, responsabilidades claras e capacidade de separar urgência operacional de decisão estratégica.

“Crescimento saudável não depende de mais informação. Depende de clareza sobre qual informação importa e de disciplina para transformar isso em decisão consistente. Sem isso, a empresa até cresce por períodos, mas com custo alto demais para sustentar”, conclui.

Sair da versão mobile