Expansão das estruturas, amadurecimento regulatório e maior busca por financiamento fora do sistema bancário transformam os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios em um dos principais instrumentos da economia real
Durante muitos anos, os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) foram vistos como estruturas voltadas principalmente à antecipação de recebíveis. Hoje, o cenário é outro. O avanço do crédito privado, a modernização regulatória e a busca das empresas por fontes alternativas de financiamento transformaram esses fundos em um dos principais mecanismos de conexão entre investidores e a economia real.
A evolução da indústria acompanha uma mudança estrutural no mercado de capitais brasileiro. Em 2025, os FIDCs registraram captação líquida de R$ 57,6 bilhões, consolidando-se entre as categorias de fundos que mais receberam recursos no país. O movimento reflete o amadurecimento desse mercado e o crescente interesse de empresas e investidores por estruturas mais eficientes, flexíveis e alinhadas às necessidades do crédito privado.
Para Saudir Filimberti, diretor da ID CTVM, esse crescimento representa uma transformação muito mais ampla do que a expansão de um produto financeiro.
“Os FIDCs deixaram de ser uma alternativa pontual de financiamento para se consolidarem como um instrumento estratégico dentro do mercado de capitais. Eles ampliam o acesso das empresas ao crédito, diversificam as fontes de financiamento e aproximam investidores de ativos diretamente ligados à economia real”
Esse avanço também foi impulsionado pelo aperfeiçoamento do ambiente regulatório. A implementação da Resolução CVM 175 e os ajustes promovidos posteriormente para os FIDCs trouxeram maior segurança jurídica, padronização e eficiência para a estruturação das operações, fortalecendo toda a cadeia de participantes.
Na avaliação da ID CTVM, esse novo ambiente também elevou a responsabilidade das instituições que dão suporte à indústria.
Administradores fiduciários, custodiante, gestores e demais prestadores de serviço passaram a exercer um papel ainda mais relevante para garantir governança, conformidade regulatória, controles operacionais e transparência em estruturas cada vez mais sofisticadas.
“O crescimento dos FIDCs vem acompanhado de um aumento significativo na complexidade das operações. Isso exige infraestrutura robusta, processos bem definidos e uma atuação pautada por diligência, controles e governança. É justamente essa base que permite que a indústria continue crescendo de forma sustentável e segura”, afirma Filimberti.
Embora ainda sejam frequentemente associados à antecipação de recebíveis, os FIDCs hoje financiam operações nos mais diversos setores da economia, incluindo agronegócio, saúde, infraestrutura, tecnologia, educação, energia, logística e franquias. A tendência é que esses veículos continuem ganhando espaço à medida que empresas busquem alternativas ao crédito bancário tradicional e investidores ampliem sua exposição ao crédito privado.
Para a ID CTVM, o próximo ciclo da indústria será marcado menos pelo crescimento do volume e mais pela qualidade das estruturas.
“A evolução do mercado passa, cada vez mais, pela qualidade da originação dos créditos, pela transparência das operações e pelo fortalecimento da governança. São esses fatores que vão sustentar a próxima etapa de desenvolvimento dos FIDCs e consolidar o mercado de crédito estruturado no Brasil”, conclui o diretor.

