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Fintechs têm menos de um mês para se adaptar à reforma tributária: especialista ensina como evitar problemas

Roberto De Lázari - Créditos da imagem: Divulgação

Roberto De Lázari - Créditos da imagem: Divulgação

Sem ajustes nos sistemas, empresas do setor de pagamentos podem perder dinheiro e enfrentar problemas no caixa quando as novas regras entrarem em vigor

As fintechs e instituições de pagamento estão na reta final para se adaptar às novas regras da reforma tributária. Com a obrigatoriedade de incluir, nos documentos fiscais, os novos campos do IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e da CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) — tributos que vão substituir impostos como ICMS, ISS, PIS e Cofins —, especialistas alertam que o setor precisa acelerar a atualização de seus sistemas para evitar prejuízos que vão muito além de multas.

Segundo Roberto De Lázari, diretor da All Tax, empresa especializada em soluções para gestão tributária, a reforma muda a forma como as empresas operam no dia a dia e exige que tecnologia, processos internos e áreas de negócio trabalhem juntos. “Existe um grupo de empresas que já avançou na adequação, mas outras ainda estão correndo contra o tempo. Mesmo que alguns prazos sejam ajustados, o período para adaptação é muito curto e exige prioridade imediata”, afirma.

Para o especialista, a primeira providência é garantir que os sistemas das empresas estejam prontos para atender às novas exigências relacionadas ao IBS e à CBS. “A maioria das empresas iniciou esse processo no começo do ano, mas quem ainda não concluiu precisa agir rapidamente para evitar problemas quando as exigências entrarem em vigor”.

No caso das fintechs, o desafio vai além de ajustar os documentos fiscais. O setor também precisa se preparar para a DeRE, a Declaração de Regimes Específicos, uma nova obrigação criada pela reforma para empresas que têm regras tributárias diferenciadas, como é o caso do setor de pagamentos. “A principal dificuldade da DeRE não é preencher a declaração. O desafio é localizar, reunir e conferir informações que normalmente estão espalhadas em diversos sistemas da empresa. Isso exige mais integração tecnológica e mais organização de dados do que muitas empresas têm hoje”, explica.

Na avaliação do executivo, um dos principais erros é tratar a reforma tributária como um assunto apenas do setor fiscal da empresa. O novo modelo também afeta a área de tecnologia, o financeiro, compras, vendas e o planejamento estratégico do negócio. “A reforma muda a forma como os preços são calculados, influencia decisões sobre fornecedores, altera como as empresas aproveitam créditos tributários e pode afetar diretamente o caixa das empresas. Não é uma mudança apenas na lei. É uma mudança na forma de operar.”

Além das multas previstas para quem não cumprir as novas obrigações, a falta de preparação pode trazer prejuízos financeiros importantes durante o período de transição para o novo modelo.

“As empresas correm o risco de perder créditos tributários, pagar impostos a mais do que deveriam, comprometer o caixa e tomar decisões erradas sobre compra e venda por falta de informações organizadas. Esses prejuízos podem ser muito maiores do que o valor de uma eventual multa”, destaca.

Para o especialista, as próximas semanas devem ser usadas para revisar a integração entre os sistemas, conferir a qualidade dos dados fiscais, atualizar os softwares de gestão (ERPs) e testar os novos processos. “Quem enxergar esse momento apenas como uma obrigação legal pode perder a chance de organizar melhor a empresa e tornar a área tributária mais eficiente”.

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