
Para executivo, é preciso diminuir “egos organizacionais”; segundo ele, uma empresa é “grande” quando todos os colaboradores conseguem responder “sim” para três perguntas essenciais relacionadas à gestão
São Paulo, 6 de agosto de 2025 – Para se conseguir realmente evoluir a gestão das empresas é necessário mudar uma “cultura” arraigada nas organizações brasileiras: a dificuldade de falar sobre problemas.
A percepção é de Otávio Carvalheira, ex-CEO da Alcoa do Brasil, onde liderou a implementação de um dos mais proeminentes cases de implementação do sistema lean, modelo de gestão originário do método Toyota.
Hoje, um dos mais renomados executivos do país, conselheiro de empresas globais como a Al Circle, a o9 Solutions, além de consultor independente e Advisor no Boston Consulting Group (BCG), Carvalheira é um entusiasta do sistema lean que, segundo ele, pode desenvolver nas pessoas a capacidade de revelar e resolver problemas.
Com isso, acredita o executivo, as empresas tendem a eliminar mais desperdícios nos processos de produção, aumentando continuamente a agregação de valor aos clientes. Para Carvalheira, quando uma companhia consegue cultivar essa mentalidade nas pessoas ela gera um aprendizado contínuo na organização.
“Essa foi a maior lição que eu aprendi nessas minhas quase quatro décadas de indústrias implementando o sistema lean: o aprendizado contínuo que ele gera. É parte da essência. Faz com que as pessoas tenham de aprender cotidianamente para conseguir melhorar o que fazem a cada dia”, disse o executivo.
Para o executivo, ao reverter essa cultura tipicamente brasileira de esconder problemas é preciso mostrar às pessoas que falar de problemas só traz vantagens para todos. Além disso, é preciso ensinar os indivíduos a encontrarem as “causas raízes” das falhas, para que elas possam ser eliminadas definitivamente.
“Para se chegar às causas raízes dos problemas é preciso envolver um grupo multidisciplinar, reunindo diversos departamentos e cargos hierárquicos de uma organização. Isso é outro aspecto fundamental do sistema lean: o estímulo ao trabalho em equipe. E quanto mais diversa for essa equipe, melhor”, disse ele.
Para tanto, acredita o executivo, é preciso que as lideranças das organizações abandonem a mentalidade do comando e controle. Em paralelo, saibam como empoderar as equipes. Segundo Carvalheira, para isso, é preciso diminuir os “egos organizacionais”.
“Os líderes precisam entender que eles não têm todas as respostas, nem jamais vão ter. As respostas vão estar nas equipes e nas equipes multidisciplinares”, acredita.
Para Carvalheira, essa deveria ser a essência, por exemplo, de um “CEO lean”. Ele cita, por exemplo, Paul O’Neill, com quem trabalhou, que foi um lendário CEO da Alcoa que revolucionou a empresa ao priorizar a segurança dos trabalhadores.
Carvalheira conta que O’Neil sempre lhe dizia que uma organização é “grande”, quando todas as pessoas que nela trabalham conseguem responder “sim” para três perguntas. A primeira: você se sente respeitado na empresa?
“Do funcionário mais humilde ao presidente, da diretoria ao conselho, é preciso se sentir respeitado como ser humano, com relação à diversidade, inclusive, mas também ao que se pensa e ao que faz. Significa ser livre para ser autêntico dentro do ambiente de trabalho”, explicou.
A segunda pergunta: você acredita que tem todas as condições para fazer o seu trabalho de forma digna e segura, não só como profissional, mas como ser humano? E a terceira pergunta: você se sente recompensado pelo que faz, não só financeiramente, mas também emocionalmente?
Para Carvalheira, uma parte significativa das empresas atuais tentam implementar modelos de gestão que gerem respostas “sim” para todas essas perguntas. No entanto, acredita ele, a maior parte não consegue por uma questão “cultural”.
“Eu gosto muito de uma frase do Peter Drucker que disse a cultura ‘come’ a estratégia no café da manhã. Não adianta você ter um plano para implementar uma gestão melhor se não conseguir, antes, mudar o fator cultural”.
Otávio Carvalheira será um dos principais palestrantes do Lean Summit 2025, maior encontro presencial de “empresas lean” do mundo.
O encontro vai reunir um grupo de mais de 120 executivos de mais de 100 grandes companhias – como Bradesco, Itaú, Coca-Cola, Vale, Embraer, Cacau Show, Toyota, Globo, Magalu, Mercado Livre, Boticário, Leroy Merlin, Bayer, Hospital Albert Einstein, Heineken, entre diversas outras empresas de uma série de setores – que vão mostrar como estão transformando a gestão pela adoção do sistema lean. Será nos dias 26 e 27 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP).
Para o executivo, o Brasil é hoje referência em sistema lean. “Não tenho nenhuma dúvida disso. Somos referência no mundo. Pois temos vários exemplos exitosos disso. Eu estou absolutamente entusiasmado para estar no Lean Summit 2025, ver os casos e contribuir com a minha experiência de quase 40 anos de gestão.”
Segundo o conselheiro, os profissionais do futuro serão aqueles que estiverem mais conectados, não apenas às suas próprias experiências, mas também às que ocorrem nas demais organizações, incluindo nas concorrentes.
“Não há mais espaço para empresas ‘insulares’, aquelas que só olham para os seus respectivos ‘umbigos’”, disse o executivo.
Saiba mais sobre o Lean Summit 2025:
O Lean Summit Brasil é o maior encontro presencial do mundo de empresas que estão adotando o sistema lean. Desde 1998, a cada dois anos, o evento reúne líderes de grandes companhias que compartilham casos de implementação lean em palestras, debates e oficinas. Este ano, na 15ª edição do encontro, o Lean Summit 2025 deverá atrair um público de aproximadamente 2.000 pessoas de mais de 500 organizações.
Saiba mais sobre o Lean Institute Brasil (LIB):
O Lean Institute Brasil (LIB) é uma organização sem fins lucrativos de São Paulo que há quase três décadas trabalha para melhorar organizações e a sociedade pela disseminação e prática da gestão lean. É reconhecido hoje como principal referência no Brasil. Foi fundado em 1998 pelo professor José Roberto Ferro, único brasileiro a ter participado, na década de 80, da “lendária” pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT), dos EUA, que revelou que a Toyota havia desenvolvido um modelo de gestão distinto dos modelos tradicionais, que foi batizado de sistema lean. Segundo “Instituto lean” do mundo, hoje, o LIB é parte de uma rede de institutos similares presentes em mais de 30 países nos cinco continentes, intitulada LGN (Lean Global Network).
Serviço:
Lean Summit 2025, dias 26 e 27 de agosto, no Distrito Anhembi, em São Paulo (SP). Informações e inscrições: www.lean.org.br
Mais informações e entrevistas sobre o Lean Summit 2025 e sobre o Lean Institute Brasil (LIB):
Relacionamento com a Mídia do Lean Institute Brasil (LIB): jornalista e relações públicas Alexandre José Possendoro (MTB 24567), telefone e WhatsApp: 11.99648-0008, emails apossendoro@lean.org.br ou possendoro@uol.com.br.
Realização:
Lean Institute Brasil (LIB)








