A maturidade das estruturas de FIDC, a migração das empresas para o mercado de capitais e a transição para SCFI explicam o salto do crédito originado ao longo do ano
As empresas brasileiras captaram R$ 717,2 bilhões no mercado de capitais ao longo de 2025, um volume que confirma a força do financiamento fora do crédito bancário tradicional. Dentro desse movimento, os instrumentos de securitização ganharam protagonismo: Os Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) responderam por um recorde de R$ 77,6 bilhões em emissões no período. Os dados mostram que mais empresários abandonam o sistema tradicional, impulsionados pela busca por estruturas mais flexíveis e pelo aumento da competição entre diferentes formas de funding. Nesse ambiente, a Multiplike encerrou o ano com mais de R$ 15 bilhões em volume operado, crescimento de 50% em relação a 2024. O resultado vem acompanhado de outro movimento relevante, que é a autorização para atuar como Sociedade de Crédito, Financiamento e Investimento, estrutura que reorganiza o modelo de captação e reposiciona a empresa dentro do sistema financeiro. O avanço para R$ 15 bilhões reflete a concentração da demanda em setores que mantêm trajetória estável de investimento mesmo com juros elevados. Cerca de 70% das operações de 2025 estão na Indústria da Transformação, enquanto Agronegócio e Construção Civil respondem por 15% cada, seguindo a distribuição federativa do PIB.
Para Volnei Eyng, CEO da Multiplike, o crescimento é resultado direto da maturidade dos processos e da reorganização do mercado. “Reduzimos fricções, tornamos as análises mais eficientes e ampliamos nossa capacidade de conceder crédito em volumes robustos. Esse movimento acontece em paralelo à migração das empresas para o mercado de capitais, que hoje oferece alternativas mais estratégicas do que o crédito bancário tradicional”, afirma. O aumento do volume também acompanha a maior demanda por crédito estruturado. Empresas buscam previsibilidade, velocidade de execução e flexibilidade de negociação, fatores que ganham relevância em um período de juros elevados. A combinação entre maior apetite do investidor, favorecido pela atratividade da renda fixa, e a busca das companhias por diversificação de fontes de financiamento sustentam a expansão observada ao longo do ano. Eyng considera que 2025 marca uma mudança de comportamento. “Vemos uma demanda crescente por estruturas fora do sistema bancário tradicional porque as grandes companhias deixaram de depender exclusivamente dos bancos. O mercado de capitais tornou-se parte da estratégia financeira das empresas, e isso se reflete diretamente nos volumes operados”, diz.
A transição para SCFI amplia o alcance das operações ao abrir novas vias de captação e permitir a criação de produtos com custos mais competitivos. Com a nova estrutura, a instituição passa a operar com número bancário próprio, emitir instrumentos isentos de imposto e ampliar a oferta para empresas de maior porte. Em paralelo a essa mudança, a companhia reforça seus mecanismos de governança e monitoramento. Em 2025, a instituição recebeu 2 classificações de risco que ajudam a medir sua solidez financeira. A nota AA+, concedida pela Fitch Ratings, está entre as mais altas da escala e indica risco muito baixo de inadimplência, além de capacidade elevada de honrar compromissos. Já a avaliação brA+, atribuída pela S&P Global Ratings, pertence à escala nacional brasileira e sinaliza que a instituição apresenta risco baixo dentro do mercado doméstico, com governança consistente e capacidade de pagamento estável. A companhia também segue padrões internacionais de segurança como CIS e ISO 27001, que orientam práticas de proteção de dados, rastreabilidade e conformidade. Esses fatores, somados ao uso de ferramentas avançadas de análise de crédito, reforçam a eficiência das concessões em um cenário de inadimplência controlada no segmento estruturado.








