Vivien Aviles Pesce – Advogada – Mandaliti advogados –
Mais de oito anos de experiência em contencioso cível, com atuação estratégica na condução de processos judiciais, análise de riscos e gestão de demandas em Juizados Especiais e Justiça Comum. Possui sólida vivência em Direito do Consumidor, contratos, recuperação judicial e seguros, com foco na mitigação de passivos e no apoio à tomada de decisão. Pós-graduada em Direito Processual Civil,
A era digital na qual vivemos traz muitas facilidades em nosso dia-a-dia, mas também nos coloca em situações capazes de gerar prejuízos das mais diversas ordens. Um dos mais comum tem sido o prejuízo material, financeiro.
Com o crescimento dos bancos digitais e as facilidades para pagamento de contas e realização de transações, o comparecimento em agências físicas tem se tornado cada vez mais escasso. A pessoalidade com o funcionário do banco, com os agentes de instituições financeiras é cada vez menor.
E essa facilidade, se por um lado traz comodidade e agilidade, por outro lado também é uma porta aberta para a atuação dos golpistas. Aproveitando-se da falta de atenção do público em geral, que já está acostumado a realizar suas operações online e de forma automática, os oportunistas encontram um ambiente propício para sua atuação ilícita.
Faça o teste. Antes de concluir qualquer pagamento, você sempre confirma os dados da transação, como valor e beneficiários?
Muitos não se atentam a isso, o que abre espaço para que golpes sejam aplicados sem qualquer desconfiança da vítima.
Mas como podemos nos precaver?
Existem algumas dicas que podem ajudar a quem quer se resguardar de uma eventual fraude. De acordo com o Serasa e o Banco Central do Brasil, alguns pontos merecem atenção redobrada:
- Os 3 primeiros dígitos que estão contidos no código de barras do boleto correspondem ao banco emissor, portanto se iniciado com 001 se refere ao Banco do Brasil, por exemplo. Se iniciado com 033 se refere ao Banco Santander, e assim por diante. Desse modo, o código do banco que inicia a sequência numeral deve ser do mesmo do banco que emitiu o boleto;
- Antes de concluir a operação, verifique se os dados do beneficiário estão corretos (nome, CNPJ). Aquele beneficiário que aparece no título é a pessoa/empresa para quem você acreditava estar fazendo o pagamento?
- Sempre emita boletos de fontes confiáveis, com sites e aplicativos oficiais do fornecedor do serviço/produto. Desconfie de boletos enviados por WhatsApp, de números sem verificação ou provenientes de e-mails que não são o canal oficial de comunicação do fornecedor. Na dúvida, sempre questione a veracidade do boleto ao real credor, por meio de fontes oficiais.
- Nunca passe seus dados pessoais ou bancários para terceiros;
- Cuidado com recebimento de ligações e SMS indicando existência de dívidas ou recebimento de valores. Nesses casos sempre entre em contato com o Banco de origem, pelos canais oficiais disponíveis no site do Banco Central;
- Nos casos de empréstimo, jamais adiantar qualquer valor, especialmente em conta de pessoas físicas. Não existe previsão/orientação das instituições financeiras nesse sentido para liberação dos valores
- Cuidado com ofertas muito atrativas, elas costumam não ser reais. Nesse caso, consulte o Banco Central.
Para auxiliar melhor essa questão, e evitar prejuízos futuros, o Banco Central criou O BC Protege+ que é um serviço gratuito que reforça a segurança contra fraudes no sistema financeiro.
Com ele, tanto pessoa física ou jurídica, informam aos bancos que não desejam abrir novas contas naquele momento, de modo que não autorizam serem incluídas como titular ou representante em contas de terceiros.
Assim, antes de abrir qualquer conta, as instituições financeiras são obrigadas a consultar o sistema e verificar se a conta pode ser aberta ou não em nome de quem solicita
O serviço pode ser ativado ou desativado a qualquer momento e funciona como uma camada extra de proteção contra fraudes de identidade, ajudando a evitar a abertura de contas e a contratação indevida de produtos financeiros em nome da vítima.
Sempre que existir dúvida, não efetue o pagamento e busque esclarecimento junto ao Banco Central do Brasil ou na sua agência bancária. Se o golpe infelizmente já se concretizou, procure realizar um Boletim de Ocorrência e, caso necessário, consulte um advogado para verificar as alternativas legais cabíveis no seu caso.

