Regras que passaram a valer em 9 de fevereiro mudaram o processamento dos benefícios de alimentação; trabalhadores ainda podem confundir as funções voucher e crédito na hora da compra
Há 226 dias entraram no país as novas regras do novo padrão de funcionamento dos cartões de benefícios do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Em vigor desde o dia 09 de fevereiro por meio do Decreto nº 12.712/2025, as principais mudanças envolvem a alteração de taxas, prazos de repasse e a forma de operação do mercado de vale-alimentação e vale-refeição.
Uma das implementações mais inovadoras foi o uso da modalidade voucher. No entanto, passados quase 08 meses após a medida, ainda é possível observar entre os trabalhadores a seguinte dúvida: qual função usar na hora de pagar a compra?
Na prática, o dinheiro pode estar disponível, mas a compra não ser autorizada se a transação for encaminhada pela modalidade incorreta. Por conta disso, nossa redação foi às ruas entender mais sobre esse acontecimento e trazer uma explicação mais completa para a população. Vamos aos detalhes!
O que mudou com o novo padrão do PAT?
Seguindo o Decreto nº 12.712/2025, atende às diretrizes da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços), que iniciou a migração técnica em novembro de 2025. O objetivo central foi separar de vez os benefícios alimentares das funções tradicionais de crédito e débito bancário.
As maiores ações envolvem o teto de 3,6% de MDR e o prazo máximo de 15 dias corridos para liquidação financeira das transações. Além disso, houve a implementação do “trilho voucher”, uma infraestrutura de pagamento exclusiva para transações de benefícios de alimentação e refeição.
Para quem passa o cartão, a diferença é imperceptível no plástico, mas crucial no visor da maquininha. Cartões flexíveis e modernos operam de forma híbrida: se o gasto for com comida, o trilho precisa ser o Voucher; se for mobilidade ou saúde, a rota permanece no Crédito.
Foi exatamente essa dinâmica que confundiu o analista de sistemas Thiago Mendes, de 29 anos. “Eu sempre usei o meu cartão na função crédito para tudo, porque a bandeira dele permitia isso. No mês passado, fui passar as compras de casa e deu erro três vezes”. Achei que estava sem saldo. Só depois que a atendente me explicou que eu precisava pedir para colocar na opção ‘Voucher’ na maquininha é que passou. O dinheiro estava lá, o problema era o ‘caminho’ que o cartão estava fazendo”, conta Mendes.
O que dizem os especialistas?
Para Marcelo Lopes, CEO da Evacard, uma das 04 maiores empresas no país no setor de benefícios pelo prêmio “Melhor RH – The Best Brands 2026”, a regulação corrige assimetrias históricas. “O trilho voucher não é apenas uma mudança técnica, mas sim a base para mais justiça no mercado. As regras antigas penalizavam o comerciante local com taxas e repasses que demoravam até um mês para acontecer”, aponta o especialista.
Além disso, vale reforçar que a implementação envolve adaptações técnicas de operadoras, empresas e estabelecimentos para ampliar a interoperabilidade e estabelecer regras uniformes para a utilização dos benefícios. Porém, Lopes destaca que trazer essa transparência protege o ecossistema e que a educação digital é a chave para a diminuição de dúvidas.
“Na Eva, por exemplo, a estratégia tem sido reforçar guias visuais e lembretes nos aplicativos para que o usuário confira a categoria antes de chegar ao caixa. Categorias como Alimentação e Refeição vão pelo Voucher, enquanto Saúde, Educação e Transporte continuam no trilho do Crédito”, explica o executivo.
Assim, empresas, operadoras e departamentos de RH ainda têm uma etapa importante de adaptação: transformar uma mudança técnica, que acontece nos bastidores dos pagamentos, em uma regra simples para quem está diante da maquininha.
Para o trabalhador, a orientação é direta: alimentação e refeição devem seguir o trilho voucher quando essa for a modalidade indicada para o benefício; outras categorias devem ser utilizadas conforme as regras do respectivo saldo.
Depois de 226 dias, o desafio agora é fazer com que uma mudança criada nos bastidores do sistema de pagamentos seja compreendida também por quem está diante da maquininha.

