Por Bruno Moreira, country manager da Helix Brasil
O setor financeiro brasileiro atravessa uma das maiores transformações tecnológicas de sua história. Bancos, seguradoras e instituições financeiras enfrentam uma combinação desafiadora: a pressão crescente das fintechs, a aceleração das expectativas dos clientes por serviços digitais instantâneos e um ambiente regulatório cada vez mais rigoroso em termos de segurança, governança e resiliência operacional.
Nos últimos anos, os investimentos em tecnologia no sistema financeiro nacional cresceram de forma consistente. Segundo dados da Febraban, os bancos brasileiros vêm ampliando aportes em áreas estratégicas como inteligência artificial, cloud computing, analytics, automação e cibersegurança. O avanço do Open Finance, do PIX e dos serviços financeiros digitais acelerou ainda mais a necessidade de modernização das operações e da infraestrutura tecnológica.
Esta realidade vem mudando fortemente o mercado, que passou a conviver com um novo padrão de concorrência. Fintechs e bancos digitais transformaram a experiência do consumidor ao oferecer serviços mais rápidos, personalizados e disponíveis em tempo real. O crescimento do Nubank ilustra essa mudança. Fundado em 2013, o banco digital tornou-se uma das maiores plataformas financeiras da América Latina, superando 131 milhões de clientes e elevando o padrão de experiência esperado pelos consumidores.
Esse novo cenário colocou enorme pressão sobre os CIOs e líderes de tecnologia das instituições tradicionais. Para competir em velocidade e inovação, muitas empresas aceleraram a adoção de nuvem pública, metodologias DevOps e automação inteligente. Porém, essa transformação ocorreu, em muitos casos, sem a substituição completa das infraestruturas legadas.
Hoje é comum que experiências digitais modernas, impulsionadas por inteligência artificial e aplicativos móveis, ainda dependam de sistemas críticos executados em mainframes e aplicações em COBOL. Como resultado, as instituições passaram a operar ambientes altamente complexos, compostos por múltiplas camadas tecnológicas distribuídas entre diferentes plataformas e regiões. Nesse contexto, a gestão inteligente de serviços e operações deixou de ser apenas uma questão de eficiência operacional para se tornar um fator estratégico de competitividade e conformidade regulatória.
Além da pressão competitiva, cresce também o rigor dos órgãos reguladores em relação à resiliência digital das instituições financeiras. Regulamentações internacionais recentes, como a DORA na União Europeia e as atualizações do FFIEC nos Estados Unidos, reforçam exigências relacionadas à continuidade operacional, rastreabilidade, transparência e gestão de riscos tecnológicos. Mais do que atender requisitos de conformidade, essas exigências elevam a gestão da infraestrutura e das operações de TI ao patamar de componente estratégico para a continuidade dos negócios.
No Brasil, o Banco Central também vem ampliando as exigências relacionadas à segurança cibernética, governança de dados e estabilidade operacional, especialmente diante da expansão dos serviços financeiros digitais. Por isso, inovar nesse ambiente exige visibilidade completa da infraestrutura, integração entre sistemas e capacidade de antecipar falhas antes que elas impactem clientes e operações críticas. É justamente nesse ponto que soluções de ServiceOps orientadas por IA ganham relevância.
Plataformas baseadas em inteligência artificial, automação e observabilidade permitem mapear ambientes complexos, identificar riscos, automatizar processos e acelerar a resolução de incidentes. Em operações críticas como o PIX, por exemplo, uma falha pode ter origem em diferentes camadas da infraestrutura, da rede e dos ambientes em nuvem a aplicações legadas e sistemas de back-end. Sem visibilidade unificada e mecanismos inteligentes de correlação, identificar a causa raiz pode consumir minutos preciosos, ampliando impactos para clientes, operações e exigências regulatórias. Uma estratégia de ServiceOps orientada por IA integra observabilidade, gestão de serviços e automação para detectar anomalias, correlacionar eventos e acelerar a recuperação do ambiente antes que a indisponibilidade se torne um problema de maior escala. Mais do que ganhos de eficiência ou redução de custos, essas tecnologias permitem que as instituições financeiras conciliem inovação acelerada, conformidade regulatória e elevada disponibilidade dos serviços.
O futuro do setor financeiro será cada vez mais digital, conectado e orientado por dados. Nesse contexto, a capacidade de operar ambientes complexos com inteligência, automação e resiliência deixará de ser apenas um diferencial tecnológico para se tornar uma vantagem competitiva decisiva.

