Global Board Academy Certification reúne especialistas de cinco países para discutir inteligência artificial governança riscos e sustentabilidade nas decisões empresariais
A inteligência artificial já chegou às mesas dos conselhos. Pesquisa da Board Intelligence com 400 conselheiros, CEOs e CFOs, divulgada pelo Financial Times em junho de 2026, mostrou que 84% dos entrevistados no Reino Unido já discutiram até que ponto as decisões humanas podem ser delegadas à tecnologia. Quase metade, 49%, afirmou estar avançando da discussão para a implementação. A mudança ajuda a explicar por que temas antes concentrados em áreas técnicas passaram a exigir atenção direta dos boards.
Eduardo Gomes, administrador de empresas, cofundador e presidente do conselho da Board Academy, edtech global especializada na formação e certificação de conselheiros, executivos e empresários, será o único representante do Brasil entre os lecturers do Global Board Academy Certification. O programa internacional de formação de conselheiros reúne especialistas com atuação em Singapura, Portugal, Brasil, Áustria e Alemanha para discutir governança corporativa, inteligência artificial, cibersegurança, sustentabilidade e gestão de riscos. A programação combina encontros digitais entre setembro e novembro com uma etapa presencial, de 22 a 24 de novembro, em Joanesburgo, na África do Sul.
Advisor de conselhos corporativos e mentor de executivos C Level, Gomes levará ao programa a experiência brasileira em governança e tomada de decisão empresarial. “O Global Board Academy Certification coloca o participante diante de profissionais que enfrentam essas questões em diferentes economias. Não se trata apenas de conhecer conceitos internacionais de governança, mas de entender como os conselheiros estão lidando, na prática, com inteligência artificial, risco, sustentabilidade e decisões cada vez mais complexas”, afirma Gomes.
A pressão também vem das novas exigências de governança corporativa. O OECD Corporate Governance Factbook 2025, que analisa 52 economias, aponta que 90% das jurisdições avaliadas exigem divulgação de informações relacionadas à sustentabilidade. Em 71%, há exigência ou recomendação para que sejam informadas as responsabilidades do conselho sobre o tema. No Brasil, companhias abertas passaram, em 2026, a ter divulgação obrigatória de informações financeiras relacionadas à sustentabilidade com base nos padrões do International Sustainability Standards Board, o ISSB.
De Singapura à Europa
Entre os lecturers está Audrey Lim, de Singapura, conselheira independente da Strides Digital, The Food Bank Singapore e Heartware Network. Com mais de 30 anos de experiência executiva e em boards, passou 21 anos no ecossistema da Temasek e desenvolveu iniciativas de liderança para executivos e conselheiros em colaboração com instituições como INSEAD, IMD e Stanford University. Por meio de parcerias com fundos soberanos e instituições internacionais, esteve envolvida em iniciativas que alcançaram aproximadamente 4 mil líderes de conselhos.
Bruno Horta Soares, professor universitário português e advisor de conselhos, leva para a programação a discussão sobre quem supervisiona a inteligência artificial. Especialista em governança, IA, cibersegurança e risco digital, é autor de “The Boardroom After AI” e criador do Corporate Governance Gravity Model, voltado à supervisão da tecnologia pelos boards. A formação reúne ainda Florian Iro, presidente do Austrian Resources Forum e integrante do conselho de supervisão da Messe Salzburg, com atuação ligada à economia circular, e Guido Happe, CEO da Board Academy, que leciona em instituições como University of Johannesburg e IESE Business School.
“Quando profissionais de diferentes países discutem governança, fica evidente que o mesmo problema pode exigir respostas distintas dependendo da regulação, da cultura empresarial e da maturidade do negócio. Esse contato amplia o repertório de quem precisa tomar decisões que já não respeitam fronteiras”, aponta o advisor de conselhos.
IA chega à mesa de decisão
O Financial Times relatou que a Board Intelligence trabalha com o Lloyds Banking Group em um “board bot”, desenvolvido para apoiar diretores sem assumir poder de voto. O caso coloca uma questão diretamente ligada à governança de IA: a tecnologia pode ganhar espaço na construção das decisões, mas a responsabilidade continua humana.
“O conselheiro do futuro não será aquele que sabe tudo sobre cada tecnologia ou cada risco. Será aquele capaz de compreender as implicações, questionar especialistas e conectar essas informações à estratégia. Quanto mais sofisticadas ficam as ferramentas de decisão, maior é a responsabilidade de quem está sentado à mesa”, ressalta Gomes.
O Global Board Academy Certification terá encontros digitais entre setembro e novembro de 2026 e culminará na etapa presencial de 22 a 24 de novembro, em Joanesburgo. A participação de Eduardo Gomes como único representante do Brasil entre os lecturers coloca a experiência brasileira em governança ao lado de profissionais que atuam em diferentes economias e modelos de conselhos.

