Com base em tendências globais do mercado, consultoria destaca que a qualidade da informação e a governança deixam de ser suporte de TI para se tornarem a principal vantagem competitiva dos negócios
A inteligência artificial (IA) está redefinindo estruturalmente o papel dos dados nas organizações globais. Segundo previsões da consultoria Gartner, mais de 10% das empresas adotarão um modelo operacional puramente voltado para IA (“AI-first”) até 2030. Nesse novo cenário, a corrida pela inovação deixou de ser focada apenas na escolha do melhor modelo de inteligência artificial para se concentrar na infraestrutura de dados que o alimenta. Com o avanço rápido da tecnologia, a governança de dados deixa de ser apenas uma regra de conformidade (compliance) e assume a posição de principal vantagem competitiva corporativa.
O impacto direto dessa transformação está na agilidade e na segurança operacional da alta gestão. O estudo do Gartner aponta que, até 2030, decisões de negócios explicitamente modeladas com governança serão cinco vezes mais confiáveis e 80% mais rápidas do que aquelas tomadas sem esses mecanismos estruturados.
Para André Ditomaso, Country Manager da Marlabs, consultoria global especializada em serviços de inteligência artificial, TI e inovação personalizadas para empresas, esses indicadores refletem a realidade de um mercado que já atingiu um novo nível de maturidade. “O Gartner não está prevendo o futuro, ele está descrevendo o presente das empresas que já ganharam essa corrida. Quando falamos que, até 2030, as decisões modeladas com governança serão 80% mais rápidas, isso já não é mais um argumento técnico focado para a TI, é um argumento estratégico de peso para o board diretivo das companhias”, analisa o executivo.
Na prática, as operações se preparam para a adoção massiva de novas arquiteturas para suportar os agentes autônomos. Entre as tendências destacadas no mercado estão o uso do streaming de dados agêntico, que permite o processamento contínuo de informações em tempo real e deve ultrapassar 60% de adoção até 2028 e o avanço da técnica GraphRAG. Ainda segundo a Gartner, essa abordagem, que combina grafos de conhecimento com Grandes Modelos de Linguagem (LLMs) para entregar respostas precisas em contextos complexos, deverá ser adotada por 40% das empresas até 2029.
Esses movimentos confirmam que o ativo mais valioso não é o modelo tecnológico de ponta, mas sim a capacidade de fornecer o contexto exato e em tempo real à máquina. Na visão do Country Manager da Marlabs, as empresas que ainda tratam os dados apenas como insumo para criar relatórios já estão atrasadas. “A próxima fronteira da inteligência artificial aplicada está na qualidade da infraestrutura de dados. A vantagem competitiva está migrando para a arquitetura: quem tiver os dados melhores, mais contextualizados e em tempo real vai vencer o jogo, independentemente do modelo de IA que decidir utilizar”, conclui Ditomaso.








