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IA muda 44% das habilidades até 2027: o que líderes de Google e Nubank dizem que vai definir o emprego

Giuliano Amaral---CEO-da-Mileto-e-Willian-Katamaya---lider-de-transformacao-organizacional-na-Vivo

Giuliano Amaral---CEO-da-Mileto-e-Willian-Katamaya---lider-de-transformacao-organizacional-na-Vivo

Executivos destacam senso crítico, adaptabilidade e vontade de aprender como as competências humanas que devem liderar a disputa por talentos na era da automação.

A transformação do trabalho impulsionada pela Inteligência Artificial e pela automação já não é uma previsão distante: ela está acontecendo agora. No entanto, o grande desafio não é apenas tecnológico: é humano. Essa foi a tônica das discussões conduzidas por Giuliano Amaral, Co-fundador e CEO da Mileto, e host do programa sobre o Futuro do Trabalho durante a Educa Week 2025, entrevistando líderes de empresas como Google, Nubank, Amazon, Omie, Nomad, Mattos Filho e TotalPass para discutir o futuro das profissões e da educação.

Segundo os participantes, as novas tecnologias estão exigindo dos jovens algo que vai além de competências técnicas. A revolução que a IA está promovendo nas empresas torna indispensáveis duas atitudes fundamentais: senso crítico e responsabilidade construtiva, ou seja, a capacidade de perceber falhas, propor soluções e construir respostas completas para problemas reais.

“As tarefas isoladas estão sendo automatizadas. O que vai diferenciar o profissional é a habilidade de identificar necessidades, propor soluções e construir algo do início ao fim”, destaca Giuliano Amaral. “Essas capacidades são complexas pois são construídas com uma soma de competências e atitudes que demandam profundidade no desenvolvimento, desde a base socioemocional da infância.”

O debate reflete uma mudança estrutural na formação dos talentos. Segundo o Fórum Econômico Mundial (2023), 44% das habilidades atuais dos trabalhadores mudarão até 2027, enquanto o relatório da McKinsey aponta que até 30% das atividades humanas poderão ser automatizadas até 2030. Nesse cenário, o aprendizado contínuo e a adaptabilidade se tornam diferenciais essenciais.

“A capacidade de adaptação, o aprendizado constante e a resiliência diante das frustrações são o que mais diferencia os profissionais hoje”, afirmou Luiz Felipe Massad, Chief Human Resources Officer da Omie, em sua participação. “Foram justamente os fracassos que mais me ensinaram. Quem aprende com as quedas e usa essas experiências para se levantar mais forte vai mais longe.”

Outros líderes, como Erika Borges (Amazon), Suzana Kubric (Nubank) e Willian Katamaya (Vivo), reforçaram que as empresas estão cada vez mais em busca de jovens com mentalidade aberta, curiosidade intelectual e vontade genuína de aprender, uma competência comportamental que, segundo Giuliano, extraiu de resultado das entrevistas, deveria ocupar espaço central nos currículos escolares. “Colocar a ‘vontade de aprender’ como tema curricular seria uma revolução. É uma fonte de motivação interna que desperta autonomia, propósito e prazer pelo aprendizado. E isso tem impacto direto na empregabilidade, na carreira e na vida como um todo”, reforça o CEO da Mileto.

Reunindo todas as entrevistas realizadas no evento com os líderes de RH de empresas referência no país, a Educa Week e a Mileto lançam no dia 13 de novembro o podcast “Futuro do Trabalho” que terá 13 episódios, disponível no Spotify e no YouTube do Educa Week. O primeiro episódio, com participação especial de Emerson Martins, Head of HR Brazil do Google, abre a série exclusiva e inédita que será divulgada ao longo de novembro e dezembro, em lançamentos semanais. “Ter feito o ensino médio técnico facilitou bastante a minha vida universitária. Você já entra jogando, os assuntos não são uma grande novidade para você.”, pontuou Emerson em sua participação. 

Giuliano reforça o poder transformador do conteúdo das entrevistas, com uma coincidência com livro que está lendo no momento sobre os novos tempos no universo das escolas, The Disengaged Teen, de Jenny Anderson e Rebecca Winthrop: “Mais do que nunca, o que crianças precisam agora é serem melhores em aprender” (Tradução livre)

Em um mundo de mudanças rápidas, o que importa é desenvolver mentes críticas, criativas e conscientes — capazes de aprender e reaprender continuamente. “O futuro da educação e do trabalho convergem em ser cada vez menos sobre trilhar caminhos pré-estabelecidos e mais sobre se engajar e ser capaz construir os próprios caminhos com propósito e para o bem coletivo”, conclui Giuliano.

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