Ícone do site Economia S/A

Inadimplência atinge 75,7 milhões de brasileiros e dívida média ultrapassa R$ 1,5 mil, aponta levantamento da Paschoalotto

Mosquim - Crédito da foto: Divulgação
Mosquim – Crédito da foto: Divulgação

Estudo revela crescimento no endividamento, aumento do desemprego, avanço de apostas sobre investimentos tradicionais e consolidação dos canais digitais na recuperação de crédito

A inadimplência no Brasil segue em trajetória ascendente. Segundo o relatório Indicadores de Mercado – Abril de 2025, elaborado pela plataforma Pagou Fácil, da Paschoalotto divulga seu mais recente estudo sobre os indicadores de mercado,  pela Paschoalotto, 75,7 milhões de brasileiros adultos estão inadimplentes, o que representa 46,6% da população adulta — um aumento de 1,02% em relação a fevereiro deste ano.

O levantamento traça um retrato abrangente do cenário econômico e do comportamento do consumidor inadimplente, com base em dados da própria Paschoalotto e de fontes como Serasa, Bradesco, UOL e Infomoney. O relatório revela que o valor médio das dívidas é de R$ 1.588,12, com um total que ultrapassa R$ 438 bilhões, crescimento de 0,26% no mês.

Amapá lidera o ranking nacional de inadimplência, com 61,8% da população endividada, enquanto Santa Catarina aparece como o estado com menor índice, com 35,6%. Regionalmente, a inadimplência se espalha de forma significativa por todas as regiões do país, refletindo impactos macroeconômicos mais amplos.

“A partir de uma leitura profunda dos dados, oferecemos uma visão estratégica que ajuda empresas a antecipar tendências, identificar riscos e tomar decisões mais assertivas. Entender o perfil do inadimplente é fundamental para qualquer negócio que atua com crédito no Brasil”, afirma Diego Martins Mosquim, diretor de Planejamento da Paschoalotto.

Perfil do inadimplente: equilíbrio entre os gêneros e concentração entre adultos jovens

O estudo mostra que a inadimplência está equilibrada entre os gêneros, com 50,3% mulheres e 49,7% homens. A faixa etária mais afetada é a de 25 a 39 anos, grupo responsável por uma parte expressiva das dívidas em atraso.

A principal origem das dívidas está ligada ao sistema bancário e cartões de crédito, que respondem por 28,46% do total, seguidos por contas básicas como água, luz e gás (20,58%), serviços diversos (19,08%) e financeiras (11,23%).

Digitalização avança e redefine a negociação de dívidas

Os canais digitais vêm se consolidando como principal meio de contato entre credores e devedores. De acordo com o levantamento, 31% dos pagamentos foram negociados por meio digital em 2025, índice que era de 20,5% em 2023 e subiu para 28,9% em 2024.

“Esse movimento mostra que o consumidor inadimplente está mais conectado, mais disposto a negociar por meios digitais e busca soluções que sejam simples, ágeis e empáticas”, explica Mosquim.

Além disso, a forma de pagamento e o tipo de acordo também variam conforme o perfil da dívida. O relatório apresenta dados específicos sobre valores médios pagos com e sem garantia, destacando o papel dos diferentes canais no processo de recuperação.

Projeções macroeconômicas e mudanças no comportamento financeiro

A expectativa da Paschoalotto é de oscilação na taxa de inadimplência até o final de 2025, impulsionada, entre outros fatores, pelo aumento projetado da taxa de desemprego.

As projeções do Itaú Unibanco para o crédito em 2025 apontam para crescimento entre 4,5% e 8,5%, com viés de baixa, reflexo da política monetária mais apertada e da desaceleração econômica. Outro dado que chama atenção é o comportamento financeiro da população. Segundo pesquisa citada da Anbima/Datafolha, o número de brasileiros que realizam apostas esportivas (23 milhões) já supera o de pessoas que investem em produtos financeiros tradicionais como CDBs (6%), fundos (5%) e ações (3%). Mais alarmante ainda: 63% dos brasileiros não investem, e 42% afirmam não ter intenção de começar.

“O desinteresse por investimentos convencionais e o avanço das apostas revelam um desequilíbrio preocupante na relação da população com o dinheiro. É um alerta importante para o setor financeiro e educacional”, avalia Mosquim.

Sair da versão mobile