Com 79,1 milhões de brasileiros inadimplentes e valor médio das dívidas chegando a R$ 1.584,52, relatório da Pagou Fácil
Em um momento em que a perda de renda volta a preocupar famílias brasileiras, a taxa de desemprego dá sinais de avanço e o crédito permanece caro, a inadimplência volta ao centro do debate econômico nacional. Com quase metade da população adulta com algum tipo de dívida em atraso e projeções que indicam estabilidade em patamares elevados até 2025, compreender o comportamento do consumidor endividado tornou-se essencial para empresas que dependem da saúde financeira do mercado interno.
É nesse cenário desafiador que o relatório elaborado pela plataforma Pagou Fácil, da Paschoalotto, que acompanha de perto o comportamento dos consumidores e as tendências macroeconômicas, revela um retrato detalhado da inadimplência no Brasil e, em outubro de 2025 e as tendências que devem orientar decisões estratégicas no próximo ciclo econômico.
De acordo com o levantamento, o Brasil soma 79,1 milhões de inadimplentes, um aumento de 0,40% em relação ao mês anterior. O valor total das dívidas chegou a R$ 496 bilhões, crescendo 0,52% frente a agosto. O valor médio devido por consumidor também avançou, chegando a R$ 1.584,52.
O perfil da inadimplência permanece equilibrado entre homens e mulheres, 49,6% e 50,4%, respectivamente, e fortemente concentrado entre pessoas de 26 a 40 anos, faixa que representa o núcleo da população economicamente ativa. A análise reforça que a inadimplência não está restrita a um segmento específico, mas é resultado direto do encarecimento do custo de vida, das pressões inflacionárias e da dificuldade das famílias em recompor renda.
Por que os brasileiros estão devendo
A pesquisa revela que a inadimplência ainda está profundamente atrelada à instabilidade econômica. Os principais motivos incluem atraso de salário, endividamento excessivo e desemprego, fatores que juntos representam mais de 80% das causas dos atrasos. Segundo Diego Mosquim, Diretor de Planejamento da Paschoalotto, “não é falta de vontade de pagar que sustenta a inadimplência, mas a incapacidade real de encaixar a negociação no orçamento mensal”.
Os tipos de dívidas mais frequentes reforçam essa pressão: bancos e cartões seguem liderando, com 27% do total de pendências, enquanto contas básicas, como água, luz e gás, aparecem em segundo lugar, representando 21,3% das dívidas. Em seguida vêm as financeiras, com 19,9%, e os serviços como TV, internet e telefonia, com cerca de 11,6% do volume.
Diferenças regionais acentuam desigualdade econômica
O relatório mostra que 48% da população adulta brasileira está inadimplente, com ampla variação entre estados. O Amapá apresenta o pior cenário, com 64,36% de adultos endividados, enquanto Santa Catarina tem o menor percentual, com 38,17%.
Essa desigualdade regional evidencia como fatores socioeconômicos, oportunidades de trabalho e acesso ao crédito moldam a evolução das dívidas no país.
Digitalização acelera e transforma a recuperação de crédito
O material mostra que a digitalização das negociações deixou de ser tendência e se tornou realidade consolidada. Nos últimos dois anos, os canais digitais cresceram de forma acelerada. Em 2023, apenas 20,5% das negociações eram digitais, em setembro de 2025, esse percentual já alcançava 33%.
Para a Mosquim, essa mudança é reflexo direto de um consumidor que busca autonomia, agilidade e disponibilidade 24 horas por dia. “A digitalização da recuperação de crédito deixou de ser um diferencial e passou a ser uma condição obrigatória para quem deseja aumentar alcance, reduzir custos e melhorar a experiência do consumidor”, reforça.
Comportamento das dívidas e evolução dos acordos
O relatório detalha ainda os tipos de acordos realizados. Nas dívidas sem garantia, a maior parte das negociações envolve acordos parciais ou atualizações, enquanto a quitação total representa uma fatia menor. Entre as dívidas com garantia, os acordos parcelados são predominantes. Os valores médios pagos em outubro foi de R$271 nas dívidas sem garantia, e entre R$ 1.791 nas dívidas com garantia.
“O mês de outubro foi marcado por aumento do desemprego, projeções de oscilação da inadimplência e aceleração das negociações digitais. O cenário reforça a importância de acompanhar constantemente os movimentos econômicos para tomada de decisão”, finaliza Mosquim.








