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Inadimplência chega a 80,6 milhões de brasileiros e dívidas somam R$ 511 bilhões no país

Diego Martins Mosquim - Créditos da foto: Divulgação

Diego Martins Mosquim - Créditos da foto: Divulgação

Levantamento aponta crescimento moderado da inadimplência, avanço da negociação digital e pressões econômicas para 2026

O Brasil encerrou 2025 com 80,6 milhões de pessoas inadimplentes, número que representa um crescimento de 0,22% em relação ao mês anterior. No mesmo período, o valor total das dívidas atingiu R$ 511 bilhões, alta de 0,46%, enquanto o valor médio devido por consumidor subiu para R$ 1.590,43, segundo o relatório elaborado pela plataforma Pagou Fácil, da Paschoalotto, que acompanha de perto o comportamento dos consumidores e as tendências macroeconômicas de indicadores de mercado.

De acordo com a análise, a inadimplência segue em trajetória de crescimento moderado, refletindo os impactos diretos do cenário econômico sobre o orçamento das famílias. “Os dados indicam que a pressão sobre a renda continua sendo um fator determinante para o comportamento do endividamento no país”, aponta Diego Martins Mosquim, diretor de Planejamento da Paschoalotto.

O estudo mostra ainda equilíbrio entre os gêneros, com 50,4% de mulheres e 49,6% de homens entre os inadimplentes. A faixa etária mais impactada é a de 30 a 40 anos, que concentra 29,5% do total, seguida pelo grupo de 40 a 50 anos, com 20,4%. Jovens entre 18 e 25 anosrepresentam 17,5%, enquanto pessoas acima de 65 anossomam 2,3%.

Na análise regional, o levantamento revela disparidades relevantes. O Amapá apresenta a maior proporção de inadimplentes do país, com 65,20% da população adulta, enquanto Santa Catarina registra o menor índice nacional, com 38,71%. No consolidado, 49,29% da população adulta brasileira possui algum tipo de dívida em atraso. “A diferença entre os estados reforça como fatores regionais influenciam o endividamento das famílias”, destaca o estudo.

Entre os principais tipos de dívida, predominam:

• Bancos e cartões de crédito (26,9%);

• Contas básicas, como água, luz e gás (21,9%);

• Financeiras (19,4%);

• Serviços, como TV e internet (11,9%).

As razões da inadimplência estão fortemente ligadas à renda e ao mercado de trabalho. O atraso de salários ou rendimentos aparece como principal causa, citado por 41,35% dos inadimplentes, seguido por endividamento excessivo (20,40%) e desemprego (20%). “O peso das variáveis econômicas mostra que a inadimplência vai além de decisões individuais e está conectada à dinâmica do emprego e da renda”, aponta a análise.

O levantamento também contextualiza o cenário macroeconômico. A projeção do IPCA para 2026 foi reduzida para 4,05%, segundo estimativas de mercado, indicando desaceleração gradual da inflação e possível espaço para redução dos juros, caso o ambiente fiscal e externo permaneça estável. “A expectativa é de oscilação da inadimplência ao longo de 2026, acompanhando a evolução do desemprego e da atividade econômica”, avalia Mosquim.

Outro destaque é o avanço da digitalização nas negociações de dívidas. Em novembro de 2025, 32% dos pagamentos foram realizados por canais digitais. O crescimento das negociações digitais sinaliza uma mudança estrutural na forma como consumidores lidam com dívidas e buscam regularizar sua situação financeira.

“O conjunto de indicadores aponta para um cenário em que as pressões econômicas persistem, ao mesmo tempo em que o mercado passa por uma transformação acelerada nos meios de negociação, exigindo leitura constante de dados e adaptação às novas dinâmicas do consumo e do crédito em 2026”, conclui Mosquim.

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