Entidade atende a famílias para acolhimento e atendimento multidisciplinar de combate à pobreza; no mês de 20 anos da Lei Maria da Penha, Instituto revela que mais de 90% das mulheres atendidas já sofreram episódios de violência
O Instituto Dara, organização da sociedade civil dedicada a combater a pobreza de forma sistêmica e integrada, apoiando famílias em contextos de alta vulnerabilidade, abraça a campanha ‘Agosto Lilás’ – mês de conscientização e enfrentamento à violência contra a mulher – e realiza, ao longo do período, ações de esclarecimento sobre dependência emocional, identificação de relações abusivas e fortalecimento da autonomia emocional.
A programação engloba o projeto ‘Aconchego’, iniciativa que faz parte da segunda edição da Programação Artístico Familiar (PAF). Em um mês, cerca de 130 mulheres debateram e refletiram sobre temáticas alinhadas ao ‘Agosto Lilás’.
A partir das experiências das beneficiárias nas ações, é gerado repertório criativo, afetivo e simbólico e, sob orientação da assistente social Elisangela Barros e da coordenadora de cidadania Laura Motta, além de uma equipe multidisciplinar, elas produzem materiais de artes visuais, como cartazes e painéis coloridos e de diferentes formas. O trabalho apresenta o conteúdo debatido, transformando diálogos em obras de destaque, como as cartilhas ‘Vamos conversar sobre violência contra a mulher’, do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ), e ‘Eu me Protejo’.
O projeto Aconchego se torna ainda mais relevante no atual contexto, uma vez que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) completa 20 anos em agosto de 2026. A normativa funciona como o principal marco legal do país de prevenção e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres e o Instituto Dara identificou que mais de 90% das atendidas já sofreram episódios de violência.
O aprendizado também se torna estratégico quando o tema é a primeira infância. As temáticas reforçam a importância de ambientes seguros, estáveis e livres de violência para o desenvolvimento saudável de crianças.
“É preciso criar condições para que famílias, e sobretudo mulheres, tenham autonomia, conhecimento, renda e acesso aos seus direitos. Quando trabalhamos essas dimensões de forma integrada, os resultados se tornam sustentáveis”, afirma a médica e presidente do Instituto Dara, dra. Vera Cordeiro.
Método-Dara: atuação contínua e integrada
O Instituto Dara trabalha com uma tecnologia social pioneira criada para combater a pobreza e promover a saúde e o desenvolvimento humano, o Método-Dara. Sua filosofia central é que a pobreza é multidimensional e, portanto, a solução deve ser multidisciplinar e simultânea: a família só alcança a autonomia e a saída da vulnerabilidade se todos os seus vetores forem atacados ao mesmo tempo – saúde, educação, moradia, geração de renda e cidadania.
O processo do Método-Dara dura em média dois anos, em que as famílias deixam de ser beneficiárias passivas para se tornarem protagonistas do seu próprio desenvolvimento. Seu impacto é comprovado cientificamente por avaliações como a da Universidade de Georgetown, que indicou redução de 86% nas reinternações hospitalares de crianças e a duplicação da renda familiar em um período de três a cinco anos.
Dados corroboram sucesso institucional
Números de 2026 referentes a 62 famílias atendidas pelo Instituto traduzem o êxito do trabalho realizado. Após cerca de dois anos de acompanhamento, a renda média triplicou; 30% superaram a linha da pobreza; 75% saíram da insegurança alimentar grave; 67% das crianças e adolescentes voltaram para a escola; 33% melhoraram as condições de moradia; e 63% reduziram o estresse emocional.
“Como a pobreza é multidimensional, o atendimento multidisciplinar do Instituto Dara vai no cerne da inclusão social das famílias em vulnerabilidade atendidas. Quando a intervenção é estruturada e centrada na família, a mudança acontece. Em 35 anos de atuação, impactamos diretamente mais de 100 mil pessoas e indiretamente mais de um milhão. Mais do que números, são histórias de dignidade, acesso e novas oportunidades. Transformar realidades exige estratégia, acompanhamento e olhar para a família como protagonista da mudança. E esses resultados mostram que é possível romper ciclos de pobreza”, destaca a presidente do Instituto Dara, Vera Cordeiro.

