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Investir apenas no Brasil: por que a concentração de patrimônio preocupa especialistas

Kiko - Franco Scornavacca- Créditos da foto: Divulgação

Kiko - Franco Scornavacca- Créditos da foto: Divulgação

Especialista em investimentos internacionais explica por que diversificar patrimônio entre diferentes países deixou de ser uma estratégia exclusiva dos grandes investidores e passou a integrar o planejamento patrimonial de longo prazo

O patrimônio dos brasileiros continua concentrado em ativos locais, mesmo com o crescimento do acesso aos investimentos internacionais. Dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima) mostram que o volume investido por pessoas físicas alcançou R$ 8,5 trilhões em 2025, alta de 15,5% em relação ao ano anterior, com predominância da renda fixa na composição das carteiras. Ao mesmo tempo, reportagem publicada pelo Times Brasil CNBC mostrou o avanço da procura por investimentos internacionais como estratégia de proteção patrimonial, impulsionada pela busca por maior segurança diante das oscilações econômicas e cambiais.

Para Franco Scornavacca, empresário, fundador da MD1 Nexus, aceleradora de negócios que conecta empresários e investidores a oportunidades de expansão nos Estados Unidos, esse movimento demonstra que o planejamento patrimonial passou a incorporar uma visão mais global. Segundo ele, diversificar investimentos entre diferentes economias deixou de ser uma estratégia restrita aos grandes investidores e passou a fazer parte das decisões de empresários interessados em proteger patrimônio e ampliar oportunidades de crescimento.

“Concentrar todo o patrimônio em um único país significa aceitar que fatores políticos, tributários, econômicos e cambiais tenham impacto direto sobre praticamente todos os ativos do investidor. A diversificação geográfica reduz essa dependência e fortalece a estratégia patrimonial no longo prazo”, afirma.

O levantamento Raio X do Investidor Brasileiro 2026, realizado pela Anbima em parceria com o Datafolha, aponta que 36% da população brasileira já possui algum investimento financeiro, o maior percentual da série histórica. Apesar desse avanço, a maior parte dos recursos continua aplicada no mercado doméstico, mantendo muitos investidores expostos aos mesmos ciclos econômicos.

Diversificar investimentos não significa tirar dinheiro do Brasil

Na avaliação do fundador da MD1 Nexus, um dos maiores equívocos é acreditar que investir no exterior significa abandonar o mercado brasileiro. Para ele, a lógica é semelhante à diversificação entre diferentes ativos: distribuir parte do patrimônio em outras economias reduz a concentração de riscos e amplia as possibilidades de crescimento.

“O objetivo não é substituir investimentos no Brasil, mas construir uma carteira mais equilibrada. Quando o patrimônio está distribuído entre diferentes países, o investidor reduz a dependência de uma única moeda, de uma única política econômica e de um único ambiente regulatório”, ressalta.

Além de aplicações financeiras, a diversificação internacional também pode ocorrer por meio da aquisição de empresas, participação em negócios consolidados e investimentos em operações capazes de gerar receita em moedas fortes. Segundo o especialista em expansão de negócios nos Estados Unidos, esse modelo vem despertando interesse de empresários que desejam combinar crescimento patrimonial com expansão empresarial.

“Cada investidor possui objetivos diferentes. Alguns procuram proteção patrimonial, outros buscam ampliar operações ou acessar novos mercados. O mais importante é que qualquer investimento seja resultado de planejamento, análise financeira e conhecimento do ambiente de negócios”, observa.

Na avaliação do empresário, esse processo exige critérios semelhantes aos adotados em qualquer decisão estratégica. Antes de investir em outro país, é fundamental avaliar a saúde financeira da empresa, compreender a legislação local, analisar riscos, verificar contratos e entender as perspectivas do setor onde o negócio está inserido.

Planejamento patrimonial ganha dimensão global

A ampliação da oferta de contas globais, ETFs, fundos internacionais e outros produtos financeiros tornou o acesso aos mercados externos mais simples para investidores brasileiros. Dados da B3 mostram que a participação de instrumentos com exposição internacional vem crescendo entre as pessoas físicas, refletindo um movimento gradual de diversificação das carteiras.

Para Kiko, a tendência é que esse comportamento continue avançando nos próximos anos, principalmente entre empresários que passaram a enxergar patrimônio de forma estratégica.

“Patrimônio não deve depender exclusivamente do desempenho de uma única economia. Diversificar investimentos internacionalmente deixou de ser um diferencial e passou a representar uma ferramenta importante de proteção patrimonial, crescimento empresarial e planejamento financeiro de longo prazo”, conclui.

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