
Márcio Moura, da Invés, explica como organizar a declaração e planejar estratégias fiscais de longo prazo
O prazo para entrega da declaração do Imposto de Renda 2025 termina em 30 de maio e, segundo a Receita Federal, cerca de 46,2 milhões de declarações são esperadas até a data. A poucos dias do encerramento, ainda é comum surgirem dúvidas sobre como declarar corretamente ativos como previdência privada e investimentos financeiros, além de estratégias que podem minimizar encargos e melhorar o planejamento fiscal dos contribuintes nos próximos anos.
Márcio Moura, sócio-gestor da Invés, assessoria financeira que atua com modelo fiduciário e taxa fixa, ajuda a sanar algumas das principais dúvidas dos brasileiros a fazer a declaração corretamente e, mais importante, a estruturar um plano de longo prazo que otimize os benefícios fiscais.
Um dos erros mais comuns na hora de declarar o Imposto de Renda está na confusão entre os planos de previdência Plano Gerador de Benefício Livre (PGBL) e Vida Gerador de Benefício Livre (VGBL). Embora ambos sejam instrumentos de planejamento para aposentadoria, eles têm implicações fiscais diferentes. “O PGBL permite deduzir até 12% da renda tributável anual, sendo mais indicado para quem faz a declaração completa. Já o VGBL não oferece essa dedução, mas incide imposto apenas sobre os rendimentos no momento do resgate”, explica Márcio Moura e destaca, ainda, que declarar cada um corretamente evita problemas com a Receita e permite aproveitar ao máximo os benefícios fiscais oferecidos.
Outra dúvida frequente entre os contribuintes diz respeito aos investimentos financeiros. A Receita Federal exige que aplicações como ações, fundos imobiliários, CDBs, Tesouro Direto, fundos de investimento e criptomoedas sejam informadas na declaração. É importante saber em qual aba inserir cada tipo de ativo, diferenciar os campos de “Bens e Direitos” e “Rendimentos Sujeitos à Tributação Exclusiva” e declarar corretamente os saldos e rendimentos de cada aplicação. “A precisão no preenchimento é essencial para evitar a malha fina e manter a regularidade fiscal”, reforça Moura.
Mais do que um item obrigatório na declaração, a previdência privada pode ser uma poderosa ferramenta de planejamento tributário. Segundo Márcio Moura, quando bem estruturada, ela permite o chamado “diferimento fiscal”, ou seja, o adiamento do pagamento de imposto para um momento em que a alíquota será menor. Ao optar pela tabela regressiva de tributação e manter os aportes por mais de 10 anos, o investidor pode atingir a alíquota mínima de 10% no resgate. Isso significa economia significativa ao longo do tempo, especialmente para quem começa a planejar cedo e escolhe os produtos corretos de acordo com seus objetivos.
“O IR é fundamental na escolha dos investimentos. Quando usamos a previdência privada com inteligência, conseguimos usufruir do diferimento fiscal e, com planejamento de longo prazo, alcançar alíquotas menores na hora do resgate”, afirma Moura.
Sobre o especialista
Márcio Moura é sócio-gestor da Invés, com sólida experiência nos mercados financeiro e jurídico. Graduado em Direito pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), possui especialização em Mercado de Capitais pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e mestrado em Direito Comercial pela Universidade Federal de São Paulo (USP). Também concluiu um programa executivo sobre Lei de Falências pela Universidade de Columbia. Ao longo da carreira, atuou em instituições como PWC, Banco ABC Brasil, Demarest Advogados, Banco Inter, Banco Modal e Arpium.








