
Estoques costumam cair no inverno e podem impactar procedimentos de alta complexidade em hospitais
O Junho Vermelho, campanha nacional de incentivo à doação de sangue, reforça um alerta que se repete todos os anos: a queda nos estoques dos hemocentros durante os meses mais frios. Gripes, resfriados, doenças sazonais e até o período de férias fazem com que muitos doadores se afastem temporariamente, colocando em risco a manutenção dos estoques e, consequentemente, a realização de atendimentos de urgência e cirurgias de alta complexidade.
Estoque de sangue é fundamental para hospitais de alta complexidade
A falta de sangue não impacta apenas os atendimentos emergenciais, mas também procedimentos planejados e de alta complexidade, como cirurgias cardíacas, transplantes e tratamentos oncológicos. “No nosso dia a dia, o sangue é um insumo essencial. Cirurgias cardíacas, por exemplo, muitas vezes exigem transfusões durante e após o procedimento. Sem um estoque adequado, existe risco real de termos que adiar procedimentos e comprometer a segurança dos pacientes”, explica Dr. Sergio Lima de Almeida, cirurgião cardiovascular do Hospital SOS Cárdio, referência em Cardiologia e alta complexidade em Santa Catarina.
O especialista reforça que, embora a doação de sangue seja um ato solidário, ela também é parte fundamental da engrenagem que mantém o sistema de saúde funcionando, especialmente em hospitais que lidam diariamente com casos graves e intervenções delicadas.
Queda nos estoques durante o inverno preocupa
De acordo com o Hemosc, responsável pela coleta e distribuição de sangue em Santa Catarina, os meses de junho e julho estão entre os mais críticos do ano. A queda no comparecimento dos doadores chega a 30% em algumas unidades, o que compromete o atendimento não só de emergências, mas também de pacientes crônicos, cirúrgicos e oncológicos.
“É uma preocupação constante. Quando os estoques estão baixos, a rede hospitalar inteira sente. No Hospital SOS Cárdio, lidamos com pacientes que, muitas vezes, não podem esperar. São casos graves, cirurgias complexas ou situações de urgência. Ter sangue disponível é questão de segurança para os nossos pacientes”, reforça o cirurgião cardiovascular.
Quem pode doar e como ajudar
Podem doar sangue pessoas entre 16 e 69 anos, com mais de 50 kg e em boas condições de saúde. É necessário estar alimentado, bem hidratado e ter dormido pelo menos seis horas nas últimas 24 horas. Quem teve gripe ou resfriado recente deve aguardar dez dias após a melhora para doar.
Em Santa Catarina, as doações podem ser feitas nas unidades do Hemosc, que abastece hospitais de todo o estado, incluindo o SOS Cárdio. A recomendação é que a doação se torne um hábito regular, garantindo que os bancos de sangue estejam sempre em níveis seguros, independentemente da estação do ano.
A solidariedade salva vidas todos os dias
“Cada doação pode salvar até quatro vidas. É um gesto simples, que faz toda a diferença, não só para quem está em uma emergência, mas também para pacientes que dependem de cirurgias programadas e tratamentos de alta complexidade. Doar sangue é um ato de empatia, cuidado e compromisso com a vida”, finaliza o médico.
O Junho Vermelho é mais do que uma campanha. É um chamado para que toda a sociedade participe ativamente desse ato de amor que salva vidas todos os dias.
