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Liderança despreparada compromete cultura da empresa e resultados

Freepik - Divulgação

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Até 70% do engajamento de um time está nas mãos do líder, quando falta preparo, caem a confiança, a eficiência e a sustentabilidade dos resultados

A coerência organizacional segue como um dos principais desafios das empresas, especialmente quando há distância entre o que é comunicado e o que é praticado no dia a dia. Esse desalinhamento está diretamente relacionado à atuação das lideranças, responsáveis por traduzir valores em decisões concretas. Quando essa mediação não acontece de forma consistente, surge um descompasso entre discurso e prática que fragiliza a cultura e compromete a confiança.

Sabendo que a liderança é o principal elo entre o que a organização comunica e o que, de fato, sustenta no cotidiano, divergências nesse entendimento, interferem diretamente nos resultados. “Quando essa mediação não acontece de forma consistente, surge um descompasso entre discurso e prática. Valores como colaboração, autonomia e/ou desenvolvimento de pessoas continuam presentes nas narrativas institucionais, mas não orientam as decisões concretas, especialmente aquelas relacionadas a priorização, reconhecimento e avaliação de desempenho”, afirma Pablo Funchal, CEO da Fluxusconsultoria especializada em transformação organizacional, com foco no alinhamento entre estratégia, cultura e execução.

Estudos da Gallup indicam que até 70% da variação do engajamento de um time depende do líder direto, evidenciando o papel central da liderança na construção do clima e dos resultados. Reconhecida como uma das principais referências globais em engajamento e gestão de pessoas, a instituição reforça que a atuação dos gestores é determinante para a performance e a sustentabilidade das equipes.

No funcionamento das equipes, o impacto também é direto. A ausência de direção clara, alinhamento de expectativas e organização de prioridades resulta em um trabalho fragmentado, com diferentes interpretações sobre o que é mais importante, conflitos não resolvidos e mudanças frequentes sem critério definido. Isso reduz a previsibilidade e aumenta o esforço necessário para a execução, desviando a energia das equipes da qualidade para a tentativa de entendimento do que precisa ser feito.

Outro ponto crítico está nos critérios de performance que acabam sendo reforçados. Sem uma leitura crítica do modelo de trabalho, passam a ser priorizados aspectos como disponibilidade constante, rapidez de resposta e volume de entregas. Em contrapartida, qualidade da decisão, sustentabilidade do ritmo e desenvolvimento das equipes ficam em segundo plano. Esse modelo pode gerar resultados no curto prazo, mas tende a provocar retrabalho, desgaste e perda de consistência ao longo do tempo.

Os impactos se estendem para retenção, saúde e resultados organizacionais. Ambientes marcados por baixa clareza, alta pressão e pouca previsibilidade aumentam o desgaste contínuo e a intenção de saída dos profissionais. Ao mesmo tempo, a dificuldade de coordenação compromete a produtividade e a qualidade das entregas. “Esse conjunto de fatores tende a criar um ciclo: quanto mais o ambiente se desorganiza, maior o esforço individual para compensar, o que aumenta o risco de esgotamento e reduz a sustentabilidade dos resultados. Por isso, o custo da liderança despreparada não é apenas humano ou financeiro, mas sistêmico”, conclui Pablo Funchal.

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