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Liderar sem se isolar: o equilíbrio como estratégia para formar times maduros e sustentáveis

MARCELO NERI - Créditos da foto: Divulgação

MARCELO NERI - Créditos da foto: Divulgação

Especialista aponta que excesso de controle pode gerar solidão na liderança e defende modelo baseado em desenvolvimento de pessoas, autonomia e clareza de princípios

Em um cenário corporativo cada vez mais exigente, líderes enfrentam um desafio silencioso que vai além de metas e resultados: o isolamento. A pressão por decisões rápidas, a responsabilidade concentrada e a crença de que é preciso controlar tudo têm levado muitos gestores a uma rotina solitária e, muitas vezes, insustentável. Para o executivo Marcelo Neri, CEO do setor marítimo e portuário, mentor e autor do livro O Tabuleiro da Existência, esse modelo de liderança está não apenas ultrapassado, como também compromete o crescimento das empresas.

Segundo ele, a ideia de que liderar é centralizar decisões ainda é comum, mas gera dependência e limita o desenvolvimento das equipes. “Quando o líder assume para si todas as decisões, ele até mantém o controle no curto prazo, mas cria um ambiente onde ninguém cresce de fato. Isso, com o tempo, isola esse líder e enfraquece a organização”, afirma.

No livro O Tabuleiro da Existência, Neri propõe uma reflexão sobre escolhas, estratégia e posicionamento, comparando a trajetória profissional a um jogo em que cada movimento precisa considerar não apenas o presente, mas também suas consequências no longo prazo. Essa visão se aplica diretamente à liderança. Para ele, líderes que tentam controlar cada detalhe acabam presos à operação e perdem a capacidade de enxergar o todo.

Equilíbrio como princípio de liderança

Inspirado em conceitos clássicos como o equilíbrio defendido por Aristóteles, Neri reforça que a liderança eficaz está na medida certa entre rigidez e permissividade. Nem o excesso de controle, que sufoca, nem a ausência de direção, que desorganiza.

“O líder mais consistente é aquele que estabelece direção clara, constrói princípios sólidos e desenvolve critérios que permitem que o time tome boas decisões mesmo na sua ausência”, explica.

Essa abordagem não apenas reduz o isolamento, como também fortalece a cultura organizacional. Quando há clareza de direção e autonomia, a empresa deixa de depender exclusivamente do líder e passa a operar com mais maturidade.

Formar líderes é o verdadeiro antídoto

Para Marcelo Neri, o principal antídoto para a solidão na liderança está na formação de novos líderes dentro da própria organização. Em vez de concentrar poder, o gestor deve investir no crescimento do time, criando um ambiente onde as pessoas não apenas executam tarefas, mas também desenvolvem pensamento crítico e senso de responsabilidade.

“Uma empresa amadurece quando as decisões continuam acontecendo com qualidade, mesmo quando o líder não está presente. Isso só é possível quando há pessoas preparadas, com critérios bem definidos e confiança para agir”, destaca.

Esse modelo, além de mais sustentável, traz benefícios diretos para o próprio líder. Ao deixar de centralizar tudo, ele ganha espaço para pensar estrategicamente, inovar e até equilibrar melhor sua vida pessoal e profissional.

No fim, como reforça o autor, liderar não é segurar todas as peças do jogo, mas saber movimentá-las de forma inteligente, criando um sistema que funcione com consistência. “Quando você forma outros líderes, você não apenas fortalece a empresa. Você também se liberta para enxergar além da operação e atuar de forma mais estratégica”, conclui.

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