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Lipedema: não é apenas gordura e o diagnóstico correto muda tudo

Créditos da imagem: Divulgação

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Por Dr. Joaquim Menezes

Durante muito tempo, alterações no contorno corporal feminino foram tratadas apenas como uma questão estética ou, no máximo, como resultado de hábitos de vida. No entanto, a medicina tem avançado na compreensão de condições que vão além desse olhar simplificado. E o lipedema é um dos principais exemplos disso.

O lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura com componente inflamatório e fibrótico, que se concentra principalmente nas pernas e, em alguns casos, também nos braços. É comum que as pacientes apresentem uma desproporção corporal marcante: tronco mais fino, com aumento significativo dos membros. Não se trata, portanto, de “ganho de peso comum”, mas de uma alteração com características próprias.

Outro ponto importante é que o lipedema não é apenas uma questão estética. Em fases mais ativas, a doença pode provocar dor à palpação, sensação de peso e inchaço simétrico, especialmente na região dos tornozelos. Esses sinais, muitas vezes negligenciados, impactam diretamente a qualidade de vida.

Do ponto de vista clínico, o lipedema é classificado em quatro estágios, que vão do grau 1 ao grau 4, conforme a evolução do quadro. Quanto mais precoce o diagnóstico, maiores são as chances de controle da progressão e de melhora dos sintomas.

A origem do lipedema está fortemente ligada às oscilações hormonais femininas. É por isso que ele costuma surgir ou se agravar em três momentos específicos da vida: na puberdade, durante ou após a gestação e na menopausa. Esse comportamento reforça o papel dos hormônios, especialmente o estrogênio, na fisiopatologia da doença.

Além da influência hormonal, há também um componente metabólico relevante. Muitas pacientes apresentam resistência à insulina e um estado inflamatório crônico de baixo grau, o que contribui para a progressão do quadro. Isso explica por que abordagens isoladas, como dietas convencionais, nem sempre trazem os resultados esperados.

O tratamento do lipedema exige, portanto, uma visão integrada. Isso inclui ajustes no estilo de vida, estratégias para melhora da sensibilidade à insulina, controle do processo inflamatório e, em alguns casos, manejo hormonal individualizado. Mais recentemente, medicamentos como a tirzepatida, mais conhecido como Mounjaro, utilizada no tratamento da resistência insulínica, têm despertado interesse da comunidade médica, justamente por atuarem em dois pilares importantes da doença: inflamação e metabolismo, particularmente na resistência insulímica.

É fundamental, no entanto, reforçar que não existe solução única ou imediata. O acompanhamento médico adequado e o diagnóstico correto são os primeiros passos para que a paciente compreenda sua condição e tenha acesso a um plano terapêutico eficaz.

Mais do que uma questão estética, o lipedema é uma condição clínica que merece atenção, informação e abordagem individualizada. E, sobretudo, merece ser reconhecido para que tantas mulheres deixem de carregar, além dos sintomas, o peso de um diagnóstico que nunca chegou.

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