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Livro Roda do Aprendizado provoca: o maior limite das empresas não é o mercado, é o aprendizado

Roberto Tranjan, autor do livro Roda do Aprendizado - Créditos da foto: Ricardo Matsukawa

Obra do empresário e pensador Roberto Tranjan chega às livrarias em 13 de março e sustenta que crescimento sustentável depende de líderes de alta potência.

Em um contexto de transformação tecnológica acelerada e pressão crescente por eficiência, o empresário e pensador brasileiro Roberto Tranjan lança A Roda do Aprendizado, livro que propõe a aprendizagem contínua como eixo estruturante da estratégia empresarial. A obra parte da premissa de que nenhuma organização cresce além da qualidade da sua capacidade de aprender, e de formar líderes capazes de integrar consciência, competência e ação.

Segundo Tranjan, o ambiente corporativo contemporâneo ainda opera sob uma lógica predominantemente instrumental, orientada por metas, velocidade e controle. Embora eficaz no curto prazo, esse modelo tende a gerar fragilidades estruturais quando não é acompanhado por desenvolvimento de mentalidade e maturidade decisória. “A única coisa permanente em qualquer cenário econômico é a capacidade de continuar aprendendo”, afirma o autor.

Roberto Tranjan, autor do livro Roda do Aprendizado – Créditos da foto: Ricardo Matsukawa

Baseada em uma metodologia construída ao longo de mais de 25 anos de atuação nas empresas, a tese central do livro é que a vantagem competitiva deixou de estar concentrada no acesso à informação ou na eficiência operacional isolada. Na chamada “Era da Consciência”, conceito apresentado na obra, o diferencial passa a ser a capacidade de transformar informação em aprendizado incorporado, isto é, em mudança efetiva de comportamento e critério de decisão.

Tranjan distingue três níveis frequentemente confundidos no ambiente corporativo: informação, conhecimento e aprendizagem. O primeiro diz respeito ao acesso a dados; o segundo, à compreensão técnica; o terceiro, à incorporação prática que altera modelos mentais. “Não adianta entregar ferramentas se o modelo mental permanece o mesmo. Sem consciência, qualquer técnica vira caricatura”, escreve.

Nesse sentido, o livro associa desempenho sustentável à formação de lideranças de alta potência, expressão utilizada para definir executivos que atuam de forma integrada, não apenas no plano racional, mas também no ético e relacional. Para o autor, liderar implica assumir função educadora dentro da organização.

Rodar para transformar

Essa visão encontra respaldo em executivos que contribuíram com depoimentos para a obra. “Liderar é educar. E educar é criar oportunidades para que as pessoas tentem, errem, aprendam e evoluam”, afirma Edgard Corona, CEO da SmartFit. Segundo ele, o papel do líder não é oferecer respostas prontas, mas estruturar ambientes em que decisões sejam construídas coletivamente e o aprendizado se torne parte do processo.

A metodologia apresentada no livro organiza a aprendizagem em um movimento circular:  escutar, compartilhar, refletir, significar, experienciar, habilitar, incorporar e transformar, propondo uma lógica distinta dos modelos lineares tradicionais de capacitação. A roda admite o erro como parte legítima do processo. “O erro não é fracasso. O erro é da natureza da aprendizagem. O que paralisa as empresas não é errar, é não aprender com o erro”, afirma o autor.

“Ao girar entre escutar-compartilhar-refletir-significar-experienciar-habilitar-incorporar-transformar, ela cria um espaço em que todos participam, dão sentido e se veem como protagonistas”, destaca Adelino Sasse, diretor de Negócios da Central Ailos (sistema cooperativista de crédito).

IA x Consciência

Em um cenário marcado pela disseminação da inteligência artificial e pela automação de tarefas cognitivas, Tranjan argumenta que o valor humano se desloca do campo operacional para o campo do discernimento. “Se a máquina executa a tarefa, o ser humano precisa ampliar percepção e responsabilidade.” Para ele, empresas que não estruturam ambientes de aprendizagem tendem a operar abaixo de seu potencial estratégico.

O educador Rui Fava (Universidade de Cuiabá), também citado na obra, reforça a necessidade de transição de um modelo baseado na transmissão de conteúdo para outro orientado à transformação intelectual. “Precisamos migrar de um sistema de transmissão para um de transformação”, afirma.

Tranjan sustenta ainda que parte das dificuldades enfrentadas por empresas maduras decorre da confusão entre velocidade e maturidade organizacional. “Quando a empresa para de aprender, começa a encolher”, escreve. O autor argumenta que crescimento financeiro dissociado de desenvolvimento cultural tende a ser instável e limitante.

Ao integrar estratégia, desenvolvimento humano e governança decisória, Roda do Aprendizado dialoga com conselhos de administração, executivos e gestores interessados em construir crescimento sustentável em ambiente de alta incerteza.

O livro chega ao mercado, em 13 de março, como uma reflexão estratégica: o desempenho econômico do futuro dependerá, cada vez mais, da capacidade institucional de aprender, desaprender e reaprender de forma estruturada.

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