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Logística hiperlocal aproxima operação dos consumidores nas grandes cidades

Créditos da foto: Divulgação

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O avanço do e-commerce e a pressão por entregas cada vez mais rápidas começam a mudar a lógica de expansão da infraestrutura logística nas grandes cidades. Depois de anos de investimentos concentrados em megacentros de distribuição e grandes galpões, empresas passam a buscar estruturas menores e descentralizadas capazes de aproximar a operação dos consumidores e reduzir os desafios da última milha. O movimento coloca os micro-hubs e as microbases urbanas no centro de uma nova discussão sobre produtividade, custo de entrega, nível de serviço e acesso a territórios complexos.

Leonardo Medeiros, CCO e cofundador da naPorta, responsável pela implementação das microbases da empresa, acompanha esse movimento diretamente na operação e explica como a descentralização pode alterar a dinâmica das entregas urbanas. A naPorta mantém oito micro-hubs entre Rio de Janeiro e São Paulo, instalados em regiões como Cidade de Deus, Gardênia, Rio das Pedras, Pavuna, Curicica e Casa Verde. As estruturas trabalham com raio médio de atendimento entre 15 e 20 quilômetros, processam de 1 mil a 2 mil pedidos e alcançam, em média, 46,2 mil habitantes por região.

A discussão ganha relevância à medida que o crescimento do comércio eletrônico aumenta a pressão sobre a infraestrutura necessária para movimentar encomendas dentro dos centros urbanos. Grandes centros de distribuição continuam fundamentais para armazenagem e fulfillment, mas a distância entre esses complexos e o endereço final do consumidor pode representar novos desafios para as operações, especialmente em cidades marcadas por congestionamentos, longas distâncias e territórios com características geográficas e sociais específicas.

Nesse contexto, a infraestrutura hiperlocal surge como uma camada complementar aos grandes centros de distribuição. Em vez de concentrar toda a capacidade operacional em estruturas de grande escala, o modelo distribui pontos menores pela cidade e aproxima estoque, equipes e capacidade de entrega das regiões consumidoras. A experiência da naPorta mostra que essas estruturas podem operar com SLA de 98,5%, perdas e extravios de 0,001% e entregas no mesmo dia, utilizando também entregadores locais que conhecem as características dos territórios atendidos.

O conceito também abre uma discussão sobre eficiência econômica. Quanto menor a distância percorrida na última milha, menor tende a ser a exposição da operação a quilômetros adicionais, congestionamentos, tentativas malsucedidas e perda de produtividade dos entregadores. Ao mesmo tempo, a presença de uma estrutura logística dentro ou próxima das regiões atendidas pode criar uma operação mais especializada, adaptada às características de cada território e capaz de desenvolver lideranças locais.

Mais do que uma alternativa aos megacentros, os micro-hubs podem representar uma segunda camada da infraestrutura logística. Os grandes centros aproximam o estoque dos mercados consumidores, enquanto estruturas hiperlocais aproximam a capacidade operacional da porta do consumidor. A combinação entre essas duas escalas pode ganhar importância à medida que o mercado passa a exigir simultaneamente maior velocidade, previsibilidade e cobertura territorial.

Para Medeiros, a discussão também precisa considerar os efeitos que uma infraestrutura descentralizada produz dentro das próprias regiões onde é instalada. Em uma possível entrevista, o executivo pode detalhar como a operação hiperlocal contribui para aumentar o sucesso das entregas, movimentar a economia local, desenvolver profissionais e lideranças dentro dos territórios e criar conhecimento operacional específico sobre cada região. A experiência da naPorta permite discutir como a logística pode deixar de ser apenas uma etapa final da cadeia de distribuição e passar a funcionar como infraestrutura econômica integrada às cidades.

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