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Mais de 74,4% das Empreendedoras afirmam que já sofreram preconceito

Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X - Créditos da foto: Divulgação

Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X - Créditos da foto: Divulgação

O estudo expõe que, mesmo com o avanço do empreendedorismo feminino, o preconceito ainda dita o ritmo do crescimento e reforça a urgência de ambientes que apoiem estratégia, confiança e protagonismo real

O empreendedorismo feminino avança no país, mas a trajetória das mulheres à frente de negócios ainda esbarra em obstáculos que insistem em limitar seu potencial. Hoje, o Brasil é o 7º país com maior número de empreendedoras e, dos 52 milhões de empreendedores existentes, 32 milhões são mulheres. Apesar disso, a nova pesquisa do Grupo X mostra que 74,4% delas já enfrentaram preconceito ou algum tipo de resistência simplesmente por serem mulheres, um dado que expõe a raiz de muitos dos entraves que seguem presentes no ecossistema. Dentro dessa mesma realidade, 39,7% apontam o medo de falhar como o principal desafio atual, superando barreiras históricas como a dupla jornada em 25,9%, a burocracia em 17,2% e a dificuldade de acesso ao crédito também em 17,2%. Além disso, 29,2% afirmam que ainda precisam desenvolver o planejamento estratégico para dar o próximo passo. Esse ambiente desigual já produz efeitos visíveis no mercado, que se torna mais competitivo ao mesmo tempo em que exige das mulheres um nível de preparo muito superior ao dos homens em posições equivalentes. 

        A pressão para acertar sempre, somada ao preconceito que ainda persiste, impacta diretamente a tomada de decisão, o ritmo de expansão e a disposição para correr riscos. Para Jorge Kotz, CEO da Holding Grupo X, esse fenômeno não é pontual, mas estrutural. “As empreendedoras brasileiras operam sob uma cobrança desproporcional, porque precisam provar competência antes mesmo de serem ouvidas. Essa combinação de resistência externa e exigência interna interfere na estratégia, na confiança e na velocidade do crescimento”, afirma. A pesquisa revela que boa parte dessas barreiras se reflete também na gestão, já que 29,2% das entrevistadas reconhecem que ainda precisam fortalecer o planejamento estratégico para conseguirem competir em igualdade. O quadro deixa evidente que o avanço feminino não depende apenas de esforço individual, mas de um ecossistema que ofereça preparo, segurança e condições reais de desenvolvimento. A pesquisa, que ouviu de diferentes regiões do país, com idades entre 23 e 50 anos e atuação no mercado há pelo menos 3 anos, reforça que as barreiras culturais permanecem mesmo entre mulheres experientes.

       Muitas relataram que a resistência não aparece apenas no início da jornada, mas também nos momentos de expansão, quando a ambição passa a incomodar ambientes marcados por vieses de gênero. Esse padrão afeta especialmente negócios de pequeno e médio porte, onde a presença feminina é maior e os recursos para enfrentar essas barreiras são mais limitados. A necessidade de capacitação estratégica, apontada por 29,2% das entrevistadas, não surge como falha individual, mas como resposta a um ecossistema que historicamente não ofereceu às mulheres o mesmo acesso a redes, mentores e oportunidades. Como evidencia a pesquisa do Grupo X, as empreendedoras brasileiras seguem lidando com obstáculos que destoam de um mercado que reivindica modernidade, competitividade e igualdade de oportunidades.

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