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Matéria-prima usada em roupas fitness, biquínis e lingerie sobe quase 50% em 2026

Divulgação CTM Carlos Modolo na ONDM 2026

Divulgação CTM Carlos Modolo na ONDM 2026

Valorização da caprolactama em 2026 já se reflete nas cotações internacionais dos fios. Tecnologias apresentadas pela CTM na ONDM mostram alternativas para agregar valor aos tecidos

O custo de produzir roupas fitness, biquínis e peças de lingerie pode sofrer novas pressões por causa da valorização de uma matéria-prima importante para a indústria têxtil. A caprolactama, utilizada na fabricação da poliamida 6, acumulou alta de 49,67% entre janeiro e outubro de 2026 no mercado chinês. O aumento já se reflete nas cotações internacionais dos fios e exige atenção de fabricantes de tecidos, confecções e marcas.

Os dados fazem parte de um levantamento acompanhado pela CTM, empresa de Blumenau (SC) especializada em fios e soluções têxteis. Segundo indicadores da plataforma internacional Echemi, a cotação média da caprolactama passou de 9.509,57 para 14.233,00 yuans por tonelada (CNY/t) entre janeiro e outubro. Cada tonelada corresponde a mil quilos do insumo. A valorização ganhou força no segundo semestre. Em junho, a matéria-prima era cotada a 11.499,30 CNY/t, em média. Em agosto, o valor chegou a 12.549,31 CNY/t e, em setembro, alcançou 14.096,25 CNY/t. Somente entre os dias 1º e 21 de outubro, houve nova alta de 1,52%.

O movimento também aparece em outros indicadores da cadeia produtiva. Na comparação entre outubro de 2025 e outubro de 2026, o levantamento da CTM aponta valorização de 66,87% na caprolactama, de 87,74% no benzeno, utilizado em sua fabricação, e de 65,42% no petróleo Brent.

Os reflexos já podem ser observados no mercado de fios. Segundo monitoramento da plataforma Claight, o fio de poliamida FDY (fio de filamento contínuo), utilizado em diferentes aplicações têxteis, registrou alta de 8,2% no mercado chinês entre 2 de setembro e 2 de outubro de 2026, chegando a US$ 2.737 por tonelada. Outro indicativo veio da fabricante química BASF, que anunciou, em setembro, reajuste de US$ 0,15 por libra para caprolactama, poliamida 6 e copoliamida na América do Norte, com vigência a partir de outubro, conforme as condições contratuais. 

Para dimensionar o que essa valorização poderia representar para o consumidor, uma simulação considera uma peça de roupa vendida por R$ 200, na qual os materiais afetados pela alta correspondam a 5% a 15% do preço final. Se todo esse custo aumentasse 49,67%, acompanhando a valorização da caprolactama, e o reajuste fosse integralmente repassado, o preço da peça poderia subir entre R$ 4,97 e R$ 14,90, chegando a aproximadamente R$ 205 a R$ 215. O cálculo é hipotético e não representa um aumento já observado nas lojas, mas ajuda a ilustrar como as oscilações nas matérias-primas podem chegar ao consumidor.

O cenário reforça a importância do planejamento de compras e da busca por alternativas que permitam às marcas oferecer produtos com diferenciais além do preço.

Tecnologia como diferencial para a moda

Em um mercado pressionado pela valorização das matérias-primas, a inovação ganha espaço no desenvolvimento de tecidos que combinam conforto, estética e funcionalidade.

Esse foi um dos destaques da participação da CTM na ONDM – O Negócio da Moda 2026, realizada entre 20 e 22 de outubro, em Balneário Camboriú (SC). A empresa apresentou oito tecnologias de fibras funcionais, desenvolvidas para ampliar as possibilidades de aplicação dos fios em diferentes segmentos da indústria têxtil.

Entre as soluções está a Pro Cover, tecnologia que aumenta a opacidade dos tecidos, inclusive em cores claras e construções leves. O recurso é especialmente interessante para leggings, roupas íntimas e peças ajustadas ao corpo, permitindo explorar maior cobertura sem depender exclusivamente de tecidos mais pesados.

Outra tecnologia apresentada foi a Pro Elastic, que proporciona elasticidade e recuperação dimensional por meio da engenharia e texturização dos fios. A característica favorece o conforto e a manutenção da forma das peças após o uso, atributos valorizados principalmente em roupas esportivas e ajustadas ao corpo.

O desempenho final dessas soluções depende da composição e da construção de cada tecido, mas demonstra como a inovação nos fios pode ampliar as possibilidades de desenvolvimento de produtos para o mercado consumidor.

“Nosso trabalho vai além de apresentar novas tecnologias. Buscamos entender o que as marcas e as confecções precisam desenvolver e orientar tecnicamente esses profissionais na escolha dos fios mais adequados a cada projeto. A composição, a construção do tecido e a aplicação final precisam ser consideradas em conjunto para que os atributos da tecnologia se traduzam em benefícios para o produto”, afirma Carlos Modolo, CEO da CTM.

Embora não elimine os efeitos do aumento das matérias-primas, a tecnologia permite que fabricantes e marcas busquem diferenciação por meio de características que agregam valor às peças.

Para a CTM, acompanhar o comportamento do mercado internacional e apresentar soluções tecnológicas faz parte do trabalho de conectar a indústria brasileira a novas possibilidades de desenvolvimento. Em um cenário de preços voláteis, aliar planejamento, conhecimento técnico e inovação torna-se cada vez mais importante para a competitividade do setor.

“Em um cenário de custos variáveis, é importante que os desenvolvedores avaliem não apenas o preço do fio, mas também o desempenho que ele pode oferecer ao produto final. Nosso papel é compartilhar informações sobre as tecnologias disponíveis e apoiar as empresas nessa avaliação, considerando as necessidades de cada aplicação e o posicionamento da marca”, complementa Modolo.

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