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Me vesti

Créditos da Foto: Divulgação

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Vesti-me de flor para entender que meu perfume é forte e penetrante.
Vesti-me de amor para suportar qualquer dor.
Vesti-me de mulher para dar ao mundo a beleza da vida.
Vesti-me de outono para poder ter algum tempo de tristeza.
Vesti-me de verão para salpicar, em qualquer lugar e a qualquer hora, sob o luar do mar.
Vesti-me de mãe para entender que o amor incondicional é, sem dúvida, o mais sublime.
Vesti-me de dor para respeitar aquilo que preciso sentir.
Vesti-me de amiga para aprender a conviver com outros seres.
Vesti-me de professora para provar que também posso ensinar.
Vesti-me de sonho para suportar a vida com a leveza que preciso ter.
Vesti-me de cor, porque é nas cores que sou criativa.
Vesti-me…
E me cobri.
Cobri-me de palavras que nunca foram ditas,
de falas que ficaram presas na garganta.
Cobri-me de vergonha pelos erros que cometi.
Cobri-me de flores para imaginar o meu renascer.
Cobri-me de graça, porque me custa acreditar que sou digna de alguma coisa.
Cobri-me de rosas porque, como já dizia o poeta, elas exalam perfume.
E esse perfume é capaz de tudo:
até de fazer ruir
e de despir.
Cubro-me com a vida.
Preencho-me com o amor.
Fortaleço-me na dor.
Aqueço-me nos braços
e me seco no luar do teu olhar.
Eis-me aqui, vida…
Doce e cruel vida!

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