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Meningite volta ao alerta: casos e mortes reforçam importância da vacinação e do diagnóstico precoce

Dados recentes da Paraíba e a investigação da morte de uma criança de três anos acendem sinal de atenção para uma doença que pode evoluir rapidamente e, em algumas de suas formas mais graves, ser prevenida pela vacinação.

A meningite voltou ao centro das preocupações de saúde pública. Na Paraíba, dados divulgados pela Secretaria de Estado da Saúde apontam 156 notificações suspeitas em 2026. Desse total, 38 casos já foram confirmados e 11 mortes foram atribuídas à doença.

O alerta ganhou ainda mais repercussão após a morte de uma menina de três anos, em Campina Grande, no último dia 9 de agosto. A criança permaneceu internada no Hospital de Emergência e Trauma e apresentou quadro clínico compatível com meningite. Até as informações mais recentes disponíveis, o caso permanecia sob investigação para confirmação laboratorial e identificação do agente causador.

Nesta sexta-feira (14), outros três casos envolvendo crianças internadas em João Pessoa também estavam sendo investigados por suspeita da doença, ainda sem confirmação diagnóstica.

Para o neurocirurgião Dr. Luiz Severo, o cenário exige atenção, mas também cuidado para evitar desinformação e pânico.

“Meningite não é uma única doença. Existem diferentes agentes capazes de provocar a inflamação das meninges e, por isso, prevenção, tratamento e gravidade podem variar de acordo com cada caso”, explica o médico.

O que é meningite?

A meningite é uma inflamação das meninges, membranas que envolvem e protegem o cérebro e a medula espinhal. A doença pode ser provocada principalmente por vírus e bactérias, mas também por fungos, parasitas e outras causas menos frequentes.

Entre as formas infecciosas, as meningites bacterianas estão entre as que mais preocupam devido ao potencial de rápida evolução e ao risco de complicações graves, incluindo sequelas neurológicas e morte.

Entre as bactérias associadas à doença estão o meningococo, o pneumococo e o Haemophilus influenzae tipo b (Hib).

“Em determinadas meningites bacterianas, o quadro pode se agravar em poucas horas. Por isso, reconhecer os sinais e procurar atendimento rapidamente pode fazer diferença no prognóstico do paciente”, alerta Luiz Severo.

Febre, rigidez na nuca e manchas podem ser sinais de alerta

Os sintomas podem variar de acordo com a idade, o agente causador e a evolução da doença. Entre os principais sinais estão febre, dor de cabeça intensa, vômitos, rigidez na nuca, sonolência excessiva, confusão mental, irritabilidade e convulsões.

Manchas avermelhadas ou arroxeadas na pele também podem surgir em alguns quadros, especialmente associados à doença meningocócica, e representam um importante sinal de alerta.

Em bebês e crianças pequenas, entretanto, os sintomas nem sempre são tão característicos. Irritabilidade intensa, recusa alimentar, choro persistente, prostração, sonolência fora do habitual e abaulamento da fontanela podem estar presentes.

Diante da suspeita, a orientação é procurar atendimento médico imediatamente, sem esperar pelo aparecimento de todos os sintomas.

Tratamento rápido pode evitar mortes e sequelas

Nas meningites bacterianas, o tempo é um fator decisivo. Diante de uma suspeita clínica relevante, o tratamento hospitalar com antibióticos intravenosos pode precisar ser iniciado rapidamente, seguindo os protocolos médicos, inclusive antes da identificação definitiva do agente causador.

Dependendo da gravidade, podem ser utilizados outros medicamentos, como corticosteroides, além de suporte intensivo para controle de convulsões, alterações respiratórias e circulatórias e aumento da pressão intracraniana.

Nas meningites virais, muitos casos são tratados com medidas de suporte, embora determinados vírus possam exigir medicamentos antivirais. Já infecções provocadas por fungos ou outros agentes necessitam de terapias específicas.

“O diagnóstico precoce é fundamental. Quanto mais rapidamente o paciente recebe a avaliação e o tratamento adequado, maiores são as possibilidades de reduzir o risco de complicações, sequelas neurológicas e morte”, afirma o neurocirurgião.

Vacinação é uma das principais formas de prevenção

Embora nem todos os tipos de meningite possam ser evitados por vacinas, a imunização é uma das principais estratégias para reduzir a ocorrência de algumas das formas bacterianas mais graves da doença.

O Sistema Único de Saúde (SUS) disponibiliza diferentes imunizantes que oferecem proteção contra agentes capazes de provocar meningite. Entre eles estão vacinas meningocócicas, pneumocócicas e a pentavalente, que protege contra o Hib. A BCG também desempenha papel importante na prevenção de formas graves de tuberculose, incluindo a meningite tuberculosa.

Desde 2025, o Programa Nacional de Imunizações passou a utilizar a vacina meningocócica ACWY como dose de reforço aos 12 meses de idade, ampliando a proteção infantil contra diferentes sorogrupos do meningococo.

A vacinação não elimina todas as possibilidades de meningite, já que a doença possui diferentes causas. No entanto, pode reduzir significativamente o risco de algumas das formas bacterianas potencialmente fatais.

“A caderneta de vacinação precisa ser encarada como uma ferramenta de prevenção. Manter as doses recomendadas atualizadas protege o indivíduo e contribui para diminuir a circulação de agentes infecciosos na população”, ressalta Severo.

Contatos próximos podem precisar de antibióticos

Quando um caso de meningite bacteriana é identificado ou considerado altamente suspeito, especialmente na doença meningocócica, algumas pessoas que tiveram contato próximo com o paciente podem receber indicação de quimioprofilaxia.

A estratégia consiste na utilização preventiva de antibióticos para reduzir o risco de desenvolvimento da doença entre contatos considerados vulneráveis à exposição. A indicação deve ser feita pelas autoridades sanitárias ou por profissionais de saúde e não deve ser realizada por conta própria.

No caso dos três pacientes pediátricos investigados em João Pessoa, familiares e contatos de uma das crianças receberam quimioprofilaxia como medida preventiva.

Meningite não permite atraso

Diante dos casos registrados e investigados, especialistas reforçam que o momento deve servir para ampliar a vigilância e a prevenção, sem gerar pânico.

Pais e responsáveis devem verificar se a vacinação de crianças e adolescentes está atualizada. Adultos pertencentes aos grupos com indicação de imunização também devem observar as recomendações do calendário vacinal.

Ao mesmo tempo, sintomas sugestivos da doença, especialmente quando apresentam rápida evolução, exigem avaliação médica imediata.

“Meningite é uma condição em que algumas horas podem mudar completamente o desfecho. Informação, vacinação e atendimento precoce são três pontos fundamentais para reduzir mortes e sequelas”, conclui Luiz Severo.

A mensagem de saúde pública permanece clara: quando uma vacina é capaz de prevenir uma infecção grave, uma sequela neurológica ou uma morte, manter altas coberturas vacinais ultrapassa a proteção individual e se transforma também em uma estratégia de proteção coletiva.

Fonte:

Dr. Luiz Severo — Neurocirurgião e Especialista em Dor
CRM-PE 24210 | RQE 10983 | CRM-PB 12554 | RQE 7100

Dr. Luiz Severo é médico neurocirurgião, professor e escritor, reconhecido como uma das jovens lideranças médicas pela Academia Nacional de Medicina. É membro titular da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) e da Sociedade Brasileira para o Estudo da Dor (SBED). Atua no tratamento avançado da dor crônica, integrando técnicas de neurocirurgia funcional a uma abordagem multidisciplinar. É criador do programa “Nossa jornada contra a sua dor” e autor do best-seller “Você não precisa sentir dor”.

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