Ícone do site Economia S/A

Mentoria online encurta curva de aprendizado e reduz erros em cirurgias complexas

Dr. Marcelo Vieira-Crédito da foto: Divulgação
Dr. Marcelo Vieira-Crédito da foto: Divulgação

Programas liderados por especialistas oferecem ensino remoto com impacto direto na segurança do paciente e democratizam o acesso à capacitação médica no Brasil

Aos 46 anos, o cirurgião oncológico Marcelo Vieira, conhecido por sua atuação em técnicas minimamente invasivas e por ter realizado o primeiro transplante robótico intervivos do Brasil, decidiu transformar a formação médica no país por meio da tecnologia. À frente de programas de mentoria online, Vieira conduz uma iniciativa que tem mudado a rotina de dezenas de cirurgiões, especialmente aqueles que atuam fora dos grandes centros.

“Boa parte dos médicos sai da residência com lacunas técnicas importantes. A mentoria serve para preencher esse vazio entre o diploma e a prática segura”, afirma. No modelo que lidera, chamado Metodologia Cirúrgica, o foco está não apenas na execução dos procedimentos, mas na estruturação completa da carreira do cirurgião,  da organização do consultório ao planejamento do atendimento pré e pós-operatório.

Ensino remoto para reduzir falhas técnicas

A proposta tem respaldo em evidências científicas. Uma revisão publicada na Revista da Associação Médica Brasileira mostrou que médicos que participam de programas estruturados de educação continuada apresentam maior aderência a diretrizes clínicas e menor taxa de complicações operatórias. A explicação está no acesso contínuo a discussões de casos, correções em tempo real, análises de vídeos de cirurgias e na possibilidade de interação direta com mentores experientes.

“A internet quebrou uma barreira importante na formação médica. Hoje, um cirurgião que atende no interior do Maranhão pode aprender técnicas avançadas com quem está em São Paulo, sem sair da sua cidade e sem comprometer a rotina no hospital”, diz Vieira.

 Segundo ele, os treinamentos remotos têm ajudado a reduzir erros técnicos, diminuir o tempo cirúrgico e aumentar a confiança dos profissionais em procedimentos de maior complexidade.

Tecnologia, simulação e personalização

A dúvida sobre como desenvolver habilidades manuais à distância é comum entre os críticos do ensino remoto na área cirúrgica. Mas a prática já tem mostrado resultados positivos. Parte dos mentorandos de Vieira participa de laboratórios presenciais de curta duração como o Cadáver Lab, criado por ele, com simulações em peças anatômicas e dissecação guiada. Além disso, os programas oferecem acesso a plataformas de simulação e transmissões ao vivo de cirurgias reais.

A mentoria também contempla atendimentos individualizados, com retorno detalhado sobre a performance de cada cirurgião. “O formato online exige mais do mentor em termos de análise e personalização. Cada aluno tem um tipo de dificuldade técnica e um ritmo de evolução. O objetivo é trazer precisão e segurança sem depender exclusivamente do modelo tradicional, que é caro e concentrado nos grandes centros”, explica.

Democratização da formação especializada

Para médicos que vivem longe dos principais polos de ensino, os custos de deslocamento, hospedagem e inscrição em congressos e cursos presenciais ainda são impeditivos. Vieira afirma que esse gargalo tem sido um dos motivadores para expandir sua atuação digital.

“A democratização da medicina também passa por quem cuida. Se o cirurgião não tem acesso à atualização, o paciente corre mais risco. O ensino remoto é uma ferramenta de equidade na assistência”, defende.

Cirurgiões que já passaram pela mentoria relatam melhora significativa na execução de técnicas laparoscópicas, ganho de autonomia em procedimentos complexos e mais agilidade na tomada de decisões em situações críticas.

Futuro da formação: IA e realidade aumentada

Com o crescimento da demanda por capacitação especializada e o avanço das tecnologias imersivas, Vieira projeta um cenário em que inteligência artificial e realidade aumentada integrarão os módulos de mentoria.

“A formação médica não pode esperar o congresso do ano que vem. Ela precisa ser diária, responsiva e baseada em evidências. Se a cirurgia muda, o ensino também tem que mudar. E hoje temos meios para isso”, afirma.

Segundo ele, o próximo passo é adaptar as mentorias para incluir algoritmos que ofereçam feedback técnico em tempo real, com base no desempenho dos participantes em simuladores conectados à internet. “É um caminho sem volta. A tecnologia chegou para apoiar — não substituir — o olho clínico e a sensibilidade do cirurgião. E, principalmente, para garantir que mais vidas sejam tratadas com competência e segurança”, conclui.

Sobre o Dr. Marcelo Vieira

Dr. Marcelo Vieira é cirurgião oncológico, especialista em cirurgias minimamente invasivas e mentor de cirurgiões. Com mais de 20 anos de experiência, iniciou sua trajetória no Hospital de Câncer de Barretos, onde atuou como chefe da Ginecologia e se dedicou ao atendimento 100% SUS. Em 2019, realizou o primeiro transplante robótico intervivos do Brasil, um marco na medicina nacional.

Após essa conquista, decidiu empreender e criou o Curso de Metodologia Cirúrgica, com a missão de transformar cirurgiões e salvar vidas. Também fundou o Cadáver Lab, um treinamento imersivo de dissecção e anatomia pélvica avançada, além de liderar programas de mentoria de alta performance, como Precisão Cirúrgica e Cirurgião de Elite.

Para mais informações, visite o site oficial ou pelo instagram.

Sair da versão mobile