
Por Emanuel Troya, CFP e consultor financeiro na MZM Wealth*
O mercado financeiro costuma reagir com intensidade a mudanças políticas, mas nem sempre com racionalidade. Desde que Donald Trump reassumiu a presidência dos Estados Unidos em janeiro de 2025, a empolgação vista nos anos anteriores com o desempenho do S&P 500 começou a ceder lugar a incertezas. Tarifas mais altas, discursos nacionalistas e medidas protecionistas voltaram a dominar o noticiário. Mas a conjuntura atual levanta dúvidas sobre a necessidade de uma mudança de rota para os investidores.
Durante evento promovido pelo Morgan Stanley em São Paulo, Andrew Slimmon, diretor geral da Applied Equity Advisors, ofereceu uma leitura que contraria o impulso imediato de muitos investidores: 2025 deve ser um “pause year”, um ano de pausa, não de pânico. Em sua análise, após dois anos de alta expressiva, é natural e até saudável que o mercado passe por um período de maior volatilidade e crescimento mais moderado.
A projeção para o crescimento econômico global é de 3,3% em 2025 e 2026, abaixo da média histórica (2000–19) de 3,7%, segundo o Fundo Monetário Internacional. Com isso, o alerta é direto: sair do mercado por medo do cenário político pode custar caro. A história do S&P 500 mostra que os melhores retornos frequentemente ocorrem justamente após grandes quedas, e que estar fora nesses momentos é perder o bonde da recuperação. Para Slimmon, o investidor que tenta ajustar sua carteira com base em eventos políticos comete o mesmo erro apontado por Warren Buffett: misturar política com investimentos.
Essa perspectiva vai ao encontro da filosofia da própria gestora, que não adota estratégias de “market timing” nem muda sua posição com base em ciclos eleitorais. O fundo MS INVF US Core Equity, focado em empresas americanas de alta qualidade, segue exposto ao mercado mesmo em meio à volatilidade. A disciplina, segundo Slimmon, é o que protege o investidor da ansiedade de curto prazo.
Em um mundo acelerado, onde cada movimento do presidente dos EUA vira manchete, manter o foco em fundamentos virou uma forma de resistência, e de prudência. A recomendação de Slimmon e do Morgan Stanley não é uma aposta contra a volatilidade, mas um convite à racionalidade: ciclos políticos passam; boas empresas, bem avaliadas, tendem a permanecer. O mercado de ações em 2025 pode não repetir os ganhos espetaculares dos anos anteriores. Mas, como lembra Sir John Templeton, os mercados de alta nascem no pessimismo, crescem no ceticismo, amadurecem no otimismo e morrem na euforia. Ainda não chegamos à euforia, e isso, por si só, já é um sinal importante.
*Emanuel Troya, CFP®, é financial advisor na MZM Wealth e planejador financeiro certificado pelo CFP®, atuando há mais de 10 anos no mercado de investimentos. É graduado em Engenharia de Produção pela UNESP, com especialização em Economia Financeira pela UNICAMP e MBA em Finanças pela FIA Business School.








