
Tributação de super-ricos, que deve avançar no Congresso em agosto, acentua a complexidade em gerir investimentos, pois incentiva fragmentação dos recursos
Para superar cenário fiscal complexo, consultorias em wealth management precisam acelerar investimento em tecnologia, especialmente inteligência artificial, alertam especialistas
São Paulo, agosto de 2025 – O mercado de wealth management, ou gestão de patrimônio, no Brasil, enfrenta uma fragmentação que compromete a eficácia de suas estratégias. Grandes fortunas costumam estar distribuídas em múltiplas plataformas – como bancos, corretoras, gestoras, criptoativos, imóveis e ativos offshore – e essa dispersão dificulta a consolidação das informações, compromete a avaliação de desempenho dos investimentos e enfraquece o planejamento a longo prazo. Nos últimos dois anos, o país deu importantes passos para ampliar a taxação sobre grandes fortunas, processo que se intensifica agora, com uma nova proposta de tributação progressiva prestes a ser votada no Congresso em agosto. A iniciativa, voltada à promoção da justiça fiscal, promete acentuar ainda mais os desafios estruturais da gestão patrimonial, segundo especialistas.
Esse novo desenho tributário aprofunda um dilema antigo entre os investidores de alta renda, a migração de capital para o exterior. As estruturas offshore, embora eficazes do ponto de vista fiscal, contribuem para a pulverização de ativos e sua gestão eficiente. “A ausência de uma visão integrada permanece como um dos principais entraves à gestão patrimonial no Brasil. Quando os ativos não se conversam, relatórios se tornam incompletos e decisões são tomadas com base em percepções isoladas. Isso gera riscos e perda de oportunidades”, afirma Felippe Pires, CEO da Louro Tech, plataforma de gestão online para o mercado financeiro.
Os modelos tradicionais de gestão patrimonial já não atendem ao nível de complexidade atual, pois esse gerenciamento exige tecnologia e estratégia. A convivência entre fundos exclusivos, FDICs, offshores, imóveis, criptoativos e outros tipos de investimento reforça a urgência de uma leitura consolidada, que pode ser resolvida com o uso da inteligência artificial, por exemplo, para que dados reunidos e atualizados em tempo real se tornem decisões acertadas e resultem em maiores ganhos para o investidor, alerta o especialista. Ainda que multifamily offices busquem integrar essas variáveis, a ausência de sistemas capazes de unificar dados e traduzir performance em inteligência prática limita a qualidade das decisões estratégicas. “Raramente reunidos sob uma mesma estrutura, esses ativos, quando analisados de forma isolada, dificultam a compreensão do impacto real sobre a vida financeira e sucessória do investidor”, complementa.
O Projeto de Lei Complementar nº 1.087/2025 foi aprovado pela Comissão Especial da Câmara dos Deputados em apenas quatro meses e está previsto para votação em agosto. A proposta prevê a criação do Imposto sobre Grandes Fortunas (IGF), com alíquotas progressivas entre 0,5% e 1,5%, conforme a faixa patrimonial. A medida atua como contrapartida à proposta do governo de isentar rendas de até R$ 5 mil mensais do Imposto de Renda e deve atingir cerca de 100 mil contribuintes. Além do IGF, a proposta inclui uma alíquota progressiva sobre rendas anuais acima de R$ 600 mil – aproximadamente R$ 50 mil mensais –, com faixas entre 2,5% e 10%. A nova regra considera lucros, dividendos e aplicações que atualmente são isentas ou pouco tributadas, buscando corrigir a regressividade do sistema, sobretudo entre os que recebem mais de R$ 1,2 milhão por ano.
Desde 2024, outras iniciativas já vinham redesenhando o sistema, a Medida Provisória nº 1.171 passou a incluir trusts na base de tributação e estabeleceu alíquotas de 15% a 22,5% sobre rendimentos no exterior, além de aplicar o “come-cotas” antecipado para fundos exclusivos. No cenário internacional, o debate ganhou força com a proposta do Brasil, durante o G20, de criação de um imposto global mínimo de 2% sobre grandes fortunas, medida que pode gerar até US$ 250 bilhões por ano em arrecadação, atingindo cerca de 3 mil indivíduos com mais de US$ 1 bilhão em patrimônio.
Sobre a Louro Tech – Fundada em 2024, por Felippe Pires, ex-sócio da XP Investimentos, a empresa é especializada em sistemas de gestão online para o mercado financeiro. A Louro Tech busca otimizar o dia a dia de seus clientes por meio de uma plataforma tecnológica que permite análises e acompanhamento em tempo real de indicadores econômicos para os mais diversos perfis, trazendo assim mais autonomia e aumentando a produtividade e eficiência dos processos. A ferramenta multi corretora da Louro Tech faz integração com soluções de mercado financeiro que transcendem os produtos de investimentos, tais como, câmbio, seguros, offshore, e outros., substituindo, por exemplo, CRMs obsoletos e mantendo-se na vanguarda da inovação em gestão comercial. Consultores independentes, holdings de gestão empresarial, gestoras de investimentos e bancos estão entre os principais clientes da Louro Tech.
