O consumo de vinho no Brasil vive um momento de transformação e amadurecimento. Antes associado a ocasiões especiais ou a um público restrito, o vinho tem conquistado espaço no cotidiano dos brasileiros, impulsionado pelo maior acesso à informação, pela força das redes sociais e pela busca por experiências ligadas ao prazer e ao bem-estar.
Segundo a sommelier Day Batista, o período pós-pandemia foi decisivo para esse novo cenário. “O vinho deixou de ser visto como algo distante ou elitizado e passou a fazer parte da rotina do brasileiro. Hoje temos mais acesso, mais informação e uma curiosidade genuína do consumidor”, afirma.
Embora o consumo ainda seja majoritariamente concentrado em vinhos de mesa, já é possível perceber uma mudança de comportamento, com maior interesse pelos vinhos finos. Mesmo diante de desafios como custos de importação e normas regulatórias, o mercado tem se fortalecido tanto para rótulos importados quanto nacionais, criando um ambiente mais democrático e diverso.
Os vinhos brasileiros, inclusive, vêm ganhando protagonismo. Investimentos em tecnologia, estudo de terroir e construção de identidade têm elevado a qualidade da produção nacional, especialmente no segmento de espumantes, no qual o Brasil já se destaca. “Hoje temos vinhos nacionais de excelente qualidade, personalidade e ótima relação custo-benefício. Valorizar a história por trás do rótulo fortalece pequenos e médios produtores e ajuda o Brasil a competir em igualdade com grandes nomes internacionais”, destaca Day Batista.
O comportamento do consumidor também revela um interesse crescente por conhecimento. Embora o preço ainda influencie a decisão de compra, cada vez mais pessoas querem entender o que estão consumindo, desde a uva e a origem até o estilo e a harmonização. “Conhecimento traz segurança e transforma a compra em uma escolha consciente, não em uma jogada no escuro. Quando alguém decide aprender, é sinal de que o vinho está chegando de forma mais profunda e consistente à vida do brasileiro”, explica.
Essa busca por informação acompanha tendências como vinhos naturais, orgânicos e de baixa intervenção, que refletem uma mentalidade mais atenta à saúde, à sustentabilidade e à autenticidade. O vinho passa a ser visto como um produto vivo, conectado à natureza e às escolhas de vida do consumidor.
A experiência ganhou protagonismo na decisão de compra. A harmonização deixou de ser uma regra rígida e passou a funcionar como uma ferramenta de prazer, respeitando o contexto e o momento de quem consome. “O consumidor quer saber como aquele vinho vai se encaixar na experiência, com a comida, o clima e a companhia. Hoje, o vinho precisa fazer sentido naquele instante”, resume Day Batista.
Restaurantes, bares especializados, wine bars e eventos de degustação exercem um papel fundamental na formação desse novo público, criando vínculos mais acessíveis e afetivos com o vinho. A mediação de profissionais e o uso de uma linguagem simples ajudam a quebrar barreiras históricas e tornam o tema mais próximo da realidade das pessoas.
Para quem deseja começar a explorar o universo dos vinhos, a orientação é clara: experimentar sem medo. “Não existe vinho certo ou errado, existe o vinho que faz sentido para você. Aprender sobre vinho é um processo leve, prazeroso e contínuo”, conclui a sommelier.

