Imóveis

Mercado imobiliário: profissionais sem posicionamento vão ficar de fora

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Com capacidade para gerar bilhões, o mercado não aceita mais profissionais generalistas.

Enquanto parte do mercado ainda discute se o setor imobiliário vai desacelerar, uma mudança mais profunda já está acontecendo nos bastidores: o dinheiro continua circulando em diferentes segmentos, mas os resultados começam a se concentrar em profissionais cada vez mais especializados.

Para Andressa Machado, o mercado imobiliário brasileiro não perdeu força,ao contrário, ficou mais sofisticado. E isso está mudando completamente quem consegue crescer dentro dele: “existe uma falsa sensação de que o mercado está mais difícil. Na prática, o recurso continua existindo. O que mudou foi o nível de exigência para acessá-lo”, afirma.

A especialista passou as últimas semanas acompanhando movimentos em diferentes regiões do país, de empreendimentos de altíssimo padrão em Balneário Camboriú a grandes operações ligadas ao Minha Casa Minha Vida em Blumenau. Para ela, o cenário deixa evidente que o setor continua pujante em praticamente todas as faixas de renda.

Em Balneário Camboriú, o avanço de empresas como a FG vem transformando não apenas o mercado imobiliário local, mas a própria percepção internacional da cidade. Já em Florianópolis, novos projetos considerados disruptivos começam a atrair perfis diferentes de consumidores e investidores. Ao mesmo tempo, o mercado econômico segue aquecido no Sul do país com grandes operações voltadas ao programa Minha Casa Minha Vida.

“O erro é continuar olhando para o mercado imobiliário como um bloco único. Hoje existem vários mercados operando simultaneamente e cada um deles exige linguagem, posicionamento e estratégia completamente diferentes”, explica.

Segundo Andressa, essa fragmentação da demanda começa a criar um novo filtro dentro do setor: profissionais generalistas perdem espaço, enquanto especialistas passam a concentrar mais oportunidades, autoridade e resultado financeiro. “Não importa se estamos falando de luxo, médio padrão ou habitação popular. O corretor que cresce hoje é aquele que consegue ser percebido como referência dentro de um nicho específico. O mercado parou de premiar presença e começou a premiar profundidade”, diz.

Na avaliação dela, o processo de sofisticação do setor impacta diretamente a forma de vender imóveis. O cliente atual chega mais informado, mais criterioso e muito menos disposto a aceitar abordagens genéricas: “o consumidor de hoje compra contexto, experiência e confiança. Quem continua tentando vender imóvel da mesma forma que fazia há dez anos começa a perder relevância”, afirma.

Para Andressa, o mercado imobiliário brasileiro atravessa um momento decisivo: há espaço para crescimento, mas o setor começa a selecionar de forma mais clara quem está preparado para acompanhar sua nova dinâmica. “O mercado continua gigantesco. Mas ele deixou de ser um espaço onde basta estar presente. Agora, cresce quem consegue construir posicionamento, especialização e percepção real de valor”, conclui.

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