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Mulheres ainda são menos de 10% entre gestores de investimento certificados no Brasil, aponta levantamento

Ana Toledo - Créditos da foto: Divulgação

Ana Toledo - Créditos da foto: Divulgação

Número de profissionais habilitados para gestão mais que triplicou em uma década, mas participação feminina avançou apenas dois pontos percentuais

Mulheres representam apenas 8,43% dos profissionais certificados para gestão de investimentos no Brasil, segundo levantamento da wealth tech Ella Wealth com base em dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Anbima). Atualmente, o país possui 20.206 profissionais certificados para atuar diretamente na gestão de recursos, dos quais 1.703 são mulheres.

A baixa presença feminina na gestão de recursos não é exclusiva do Brasil, mas o país apresenta números ainda mais concentrados. Globalmente, as mulheres representam cerca de 12% dos gestores de fundos, segundo levantamento da Morningstar.

O dado chama atenção porque o mercado cresceu rapidamente na última década, mas a presença feminina praticamente não acompanhou essa expansão. Entre 2015 e 2025, o número total de profissionais aprovados nas principais certificações de gestão mais que triplicou. No mesmo período, a participação feminina avançou apenas dois pontos percentuais, passando de cerca de 7% para pouco mais de 8%.

“A indústria de investimentos cresceu muito nos últimos anos, mas o acesso às posições onde as decisões de alocação realmente acontecem ainda é extremamente concentrado. O crescimento do mercado não se traduziu em maior diversidade nas mesas de gestão”, afirma Ana Toledo, autorizada e certificada pela CVM e Anbima, uma das mulheres que atuam na gestão de investimentos no Brasil, co-founder e CIO da Ella Wealth.

A análise considera três das principais certificações ligadas à gestão de recursos no país: CFG, CGA e CGE.

Na certificação CFG, voltada à formação geral para gestão, o total de aprovados passou de 2.560 profissionais em 2015 para 9.802 em 2025, quase quatro vezes mais. Ainda assim, a participação feminina subiu de 7% para apenas 9% no período.

Entre os certificados CGA, uma das principais credenciais para gestão direta de fundos e carteiras administradas, o número total de profissionais passou de 2.574 para 7.997 em dez anos. Nesse caso, a presença feminina variou apenas de 7% para 8%.

A certificação CGE, voltada à gestão de produtos estruturados, mostra um movimento semelhante. O total de aprovados passou de 2.571 em 2015 para 6.485 em 2025, enquanto a participação feminina avançou apenas de 7% para 8%.

Na avaliação de Toledo, o dado revela um funil estrutural dentro do mercado financeiro. “As mulheres já são praticamente metade dos profissionais nas áreas de distribuição e relacionamento com investidores. O gargalo aparece quando olhamos para as posições onde se decide estratégia, risco e alocação de capital”, afirma.

De fato, quando se observa o universo mais amplo das certificações da Anbima, incluindo aquelas voltadas à distribuição de produtos financeiros, o equilíbrio é muito maior. Atualmente existem 650.556 certificações ativas no país, das quais 320.134 pertencem a mulheres, o equivalente a 49,2% do total.

O tema ganha ainda mais relevância diante do crescimento da riqueza feminina no mundo. Estimativas da McKinsey indicam que mulheres devem controlar cerca de US$30 trilhões em riqueza global até 2030, impulsionadas pelo aumento da renda, empreendedorismo e transferências patrimoniais.

“O patrimônio feminino cresce rapidamente no mundo e deve ganhar ainda mais relevância nos próximos anos. Para o mercado financeiro, isso significa uma mudança estrutural no perfil dos investidores e na forma como as estratégias de gestão precisam ser pensadas”, finaliza Toledo.

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