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Mulheres mudam o perfil da mão de obra na construção civil e ampliam presença nos canteiros de obras

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Cresce a participação feminina em funções operacionais e de liderança, impulsionando uma transformação no setor da construção

Durante décadas, os canteiros de obras foram vistos como ambientes predominantemente masculinos. Esse cenário, porém, vem mudando. A presença feminina cresce de forma consistente na construção civil, ocupando desde funções administrativas até cargos operacionais antes restritos aos homens. O movimento acompanha uma transformação cultural do setor e abre espaço para novas oportunidades de trabalho e qualificação profissional. 

Uma pesquisa nacional realizada pelo Instituto Mulheres em Construção (IMEC), em parceria com a Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), mostra que a busca por autonomia financeira é o principal motivo que leva mulheres a ingressarem na construção civil.  

O levantamento aponta que 87% das entrevistadas afirmam ter encontrado no setor uma oportunidade de independência econômica, enquanto 85% relatam aumento da autoestima após ingressarem na profissão. Ao mesmo tempo, a pesquisa revela que a permanência ainda enfrenta desafios: mais da metade das profissionais afirma já ter sofrido algum tipo de preconceito ou discriminação no ambiente de trabalho, demonstrando que a transformação ainda está em curso. 

Mulheres na construção na Região Metropolitana de Curitiba 

Na Região Metropolitana de Curitiba, essa mudança também já pode ser observada. A Lyx Participações e Empreendimentos contabiliza atualmente 92 mulheres atuando em suas obras na capital paranaense. A maior parte trabalha como servente, função que reúne 75 colaboradoras, mas a presença feminina também já alcança cargos técnicos, administrativos e de liderança. A empresa conta ainda com mulheres atuando como pedreiras, encarregada de obras, técnica em segurança do trabalho, meio-oficial de pintura, auxiliares de almoxarifado e assistentes administrativas de obras. O avanço demonstra que as oportunidades deixam de se concentrar apenas em funções de apoio e passam a ocupar diferentes etapas da execução dos empreendimentos. 

A mudança também pode ser vista nos cargos de liderança. Atualmente, Jaqueline é a única engenheira responsável por uma obra da Lyx e lidera diariamente uma equipe de cerca de 100 colaboradores. Sua trajetória começou como estagiária de engenharia e passou por diferentes funções, como técnica de qualidade e analista de engenharia, até assumir a gestão completa de um empreendimento. Para ela, o sucesso de uma obra está diretamente ligado ao trabalho em equipe. “Somos o coração da empresa. Quando uma peça não funciona, toda a engrenagem é comprometida”, afirma. A presença de profissionais como Jaqueline reflete uma mudança gradual na construção civil, com mulheres ocupando cada vez mais funções técnicas, operacionais e de gestão nos canteiros de obras.  

Outro exemplo é o de Lucineia Rosa, que iniciou a trajetória na Lyx como servente de pedreiro e, com o desempenho e a experiência adquirida ao longo dos anos, conquistou o cargo de encarregada de obras. Para ela, a empresa oferece oportunidades reais de crescimento para quem demonstra dedicação e vontade de aprender. Lucineia também incentiva outras mulheres a seguirem esse caminho. “Não tenham medo de entrar na construção civil. É uma profissão como qualquer outra. Com esforço, aprendizado e apoio da empresa, a gente conquista nosso espaço e mostra que é capaz”, diz.  

Para Paulo Antônio Kucher, vice-presidente comercial da Lyx Participações e Empreendimentos, a diversidade fortalece a construção civil e melhora os resultados das equipes. “A participação feminina deixou de ser exceção nos canteiros. Hoje encontramos mulheres em praticamente todas as funções da obra, contribuindo com competência, organização e comprometimento. Esse é um movimento que fortalece o setor e amplia as oportunidades profissionais”, afirma. 

Segundo o executivo, além de abrir vagas, é necessário criar um ambiente acolhedor para garantir a permanência dessas profissionais. “Não basta contratar. É preciso oferecer condições para que elas se desenvolvam, cresçam profissionalmente e sejam reconhecidas pelo trabalho que realizam. A diversidade melhora o ambiente de trabalho e traz ganhos para toda a empresa”, destaca. 

Na avaliação de Kucher, a tendência é que a presença das mulheres continue crescendo nos próximos anos. “A construção civil vive um momento de transformação. Cada vez mais empresas entendem que competência não tem gênero. O importante é investir em capacitação, oferecer oportunidades e criar um ambiente de respeito para que todos possam desenvolver seu potencial.” 

Embora desafios como o preconceito e a necessidade de maior inclusão ainda façam parte da realidade do setor, os números mostram que a construção civil passa por uma mudança estrutural. A presença crescente de mulheres nos canteiros de obras deixa de ser uma exceção e passa a representar uma nova realidade para um dos segmentos que mais geram empregos no país. 

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