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N5X submete à CVM e ao Banco Central operação de clearing para o mercado de energia

Divulgação Dri Barbosa, CEO da N5X

Divulgação Dri Barbosa, CEO da N5X

Iniciativa marca avanço inédito na modernização do mercado de energia brasileiro, trazendo mecanismos de mitigação de risco e segurança às transações

A N5X deu mais um passo decisivo em sua trajetória para se tornar a primeira clearing de energia do Brasil. Em 19 de janeiro de 2026, a empresa submeteu à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e ao Banco Central do Brasil (BCB) o pedido de autorização para atuar como primeira plataforma de negociação multilateral e registro de derivativos padronizado com contraparte central (CCP) do país.

A submissão representa um marco regulatório para o setor elétrico brasileiro. A N5X visa endereçar os riscos de crédito, mercado e liquidez que têm afetado o Ambiente de Contratação Livre (ACL) nos últimos anos. Desde 2019, o mercado brasileiro testemunhou ao menos oito casos significativos de inadimplência de comercializadoras, que geraram passivo de bilhões de reais e afetaram múltiplos participantes do setor elétrico.

Atualmente, as negociações no mercado livre de energia são bilaterais e sem garantias centralizadas, expondo os agentes ao risco de crédito de contraparte. Com a atuação da N5X como contraparte central, todos os contratos negociados ou registrados serão automaticamente compensados e liquidados de forma multilateral, com gestão centralizada de garantias e chamadas de margem, seguindo os Princípios para Infraestruturas do Mercado Financeiro (PFMI) do CPMI-IOSCO.

A N5X é uma joint venture constituída em 2023 pela L4 Venture Builder – fundo de investimento independente com capital da B3 – e pela Nodal Brazil LLC, que integra o Grupo EEX, uma das maiores bolsas de energia do mundo. A combinação traz para o Brasil a experiência consolidada da Nodal/EEX em trading com contraparte central de energia em mercados maduros, aliada ao conhecimento profundo da L4/B3 sobre as regras do mercado brasileiro e acesso ao ecossistema regulatório-financeiro local.

“A submissão do nosso projeto de plataforma à CVM e ao Banco Central é exatamente o que queremos fazer e como. Foram inúmeras discussões internas, com participantes do mercado de energia financeiro local e global, com o Conselho de Administração, e com especialistas da EEX, da B3 e da Nodal para definir o melhor modelo e a forma de executálo. Chegamos até aqui graças ao trabalho incansável, à dedicação e à expertise de um time multidisciplinar que construiu um modelo estratégico e operacional consistente alinhado às melhores práticas globais”, afirma Dri Barbosa, CEO da N5X.

Ao todo, foram apresentados 60 documentos à CVM, totalizando 1.612 páginas, e 55 documentos ao Banco Central, com 1.571 páginas, refletindo a complexidade e a robustez do projeto. O processo contou com a assessoria jurídica do escritório Pinheiro Neto Advogados.

“A apresentação do requerimento de autorização à CVM e ao Banco Central pela N5X é uma clara demonstração de sua intenção de disponibilizar ao mercado brasileiro um sistema de gestão de riscos para o mercado de energia com liquidação segura, moderna e eficiente. Trata-se de um projeto inovador que certamente contribuirá para a evolução do mercado de energia do Brasil, bem como para redução dos riscos para seus participantes.” diz Tiago Themudo Lessa, sócio do escritório Pinheiro Neto Advogados.

O modelo proposto pela N5X permitirá a negociação, por agentes do setor elétrico e participantes institucionais do mercado financeiro, de contratos futuros de energia elétrica para os quatro submercados do Sistema Interligado Nacional (Sudeste/Centro-Oeste, Sul, Nordeste e Norte), com liquidação financeira. Os agentes do setor elétrico poderão optar pela liquidação por entrega simbólica de energia, mediante registro do Contrato de Comercialização de Energia no Ambiente Livre (CCEAL) junto à CCEE, mantendo a conexão entre o mercado financeiro de derivativos e o Mercado de Curto Prazo físico do ACL.

“O processo de submissão à CVM e ao Banco Central representa o amadurecimento do nosso modelo regulatório e operacional. Estruturamos a N5X para atender integralmente aos requisitos da CVM e do Banco Central, com governança, gestão de riscos e controles internos desenhados desde a origem para operar como infraestrutura crítica do mercado financeiro. Estamos prontos para trabalhar de forma colaborativa com os reguladores do mercado financeiro e do setor elétrico ao longo do processo de análise e confiantes de que o modelo proposto atende aos mais altos padrões de segurança e integridade para o mercado”, explica Camila Pantera, Head Regulatória e Jurídica da N5X.

A iniciativa ocorre em momento estratégico para o setor. Em novembro de 2025, foi promulgada a Lei nº 15.269/2025, que possibilita a abertura total do mercado livre de energia para todos os consumidores brasileiros até 2028, incluindo residenciais. O ACL já representa 45,59% do consumo nacional de energia (referente a outubro de 2025) e projeta-se que possa atingir 70% com a abertura completa.

A Alemanha, hub do mercado europeu para hedge de energia, tem volume negociado de 12,6x na relação futuros/consumo. O Brasil, como sexto maior mercado consumidor global, tem potencial para se tornar um mercado tão líquido quanto o alemão. A N5X estima que, já nos primeiros anos, o potencial é atingir mais de 1.000 TWh negociados anualmente em contratos futuros com contraparte central.

“A atuação da N5X como contraparte central é um pleito antigo dos principais players do setor, justamente por elevar o padrão de segurança, mitigação de risco e previsibilidade nas transações. A submissão da operação de clearing à CVM e ao Banco Central reforça a robustez do modelo e contribui diretamente para o amadurecimento do mercado de energia brasileiro”, afirma Ivan Monteiro, presidente da AXIA Energia.

Após o protocolo, a CVM confirmou a aprovação na etapa de verificação da documentação e informou que a análise técnica teve início em 2 de fevereiro de 2026. O Banco Central, por sua vez, definiu os pontos focais do processo, dando sequência à avaliação regulatória.

Uma construção em etapas

A submissão da operação de clearing representa o estágio mais recente de uma trajetória iniciada em 2024. O primeiro passo da N5X foi a digitalização e a formalização das negociações bilaterais de energia, por meio da Boleta N5X, criando um padrão operacional para contratos no mercado livre.

Em abril de 2025, a plataforma avançou com o lançamento da Tela de Negociação, permitindo que participantes institucionais fizessem a inserção, acompanhamento e execução de ordens de compra e venda de energia, com políticas de risco bilateral, sinalização de preços e comunicação segura e auditável entre operadores.

Atualmente, grandes players já estão cadastrados e ativos na plataforma da N5X, entre elas Axia Energia, Casa dos Ventos, Eneva, Energisa, Hydro, Minerva, Newcom e Statkraft.

Agora, com a submissão do pedido de autorização à CVM e ao Banco Central, a N5X dá o terceiro passo dessa jornada: a proposta de um mercado organizado com contraparte central, capaz de elevar o nível de segurança, previsibilidade e eficiência das transações de energia no país.

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