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Nota fiscal com IBS e CBS começa a valer e pega PMEs sem preparo, aponta levantamento da Conta Azul

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Entre pequenas e médias empresas ouvidas em julho, 58,9% não haviam mapeado nenhuma mudança operacional da reforma tributária. Emissão de nota fiscal é o processo apontado como mais impactado

Desde 3 de agosto, a nota fiscal eletrônica emitida por empresas do regime normal precisa trazer os campos de IBS (Imposto sobre Bens e Serviços) e CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços) preenchidos. Sem eles, o documento é rejeitado pelo sistema da Receita Federal. As alíquotas de 2026 são simbólicas, 0,1% de IBS e 0,9% de CBS, mas nota rejeitada é faturamento parado.

Um levantamento da Conta Azul, aplicado entre 13 de julho e 1º de agosto com 404 profissionais, mostra que boa parte do mercado chegou a essa data sem ter olhado para o assunto. Entre os 248 empresários e gestores financeiros de pequenas e médias empresas ouvidos, 58,9% disseram não ter mapeado nenhuma mudança operacional decorrente da reforma. Na base total, que inclui contadores e responsáveis por BPO (Business Process Outsourcing) financeiro, o índice é de 45,8%.

Quando o levantamento pergunta quais processos internos estão sendo mais impactados, a emissão e a conferência de nota fiscal aparecem em primeiro lugar, citadas por 50,2% dos respondentes. Entre as PMEs (Pequena e Média Empresa), o índice chega a 52,4%.

A mudança na nota é, ao mesmo tempo, a mais lembrada e a menos resolvida. O novo destaque de CBS e IBS na NF-e (Nota Fiscal Eletrônica) é o item mais citado por quem já mapeou alguma mudança, com 42,6% das menções na base total. O número cai para 31% quando se olha apenas as PMEs e sobe para 60,9% entre contadores e BPOs.

A distância entre saber e ter feito aparece de forma mais direta em outra pergunta. Questionados se os processos internos já foram adaptados para operar com os dois sistemas tributários ao mesmo tempo, 8,4% dos respondentes disseram estar completamente adaptados. Outros 26,5% responderam que não sabiam que precisavam fazer isso. Entre as PMEs, essa última resposta chega a 37,1%.

“O que aparece no levantamento não é resistência, é desconhecimento. Uma parte grande das empresas descobre a mudança quando a nota é rejeitada, e aí o faturamento já parou”, diz Vinicius Roveda, CEO e cofundador da Conta Azul. “Quem emite nota no regime normal precisa checar hoje se o sistema já está atualizado, não na semana que vem”.

O quadro não é novo. Em pesquisa anterior da Conta Azul, aplicada dentro da plataforma entre 27 de agosto e 11 de setembro de 2025, 89,2% das empresas de médio e grande porte diziam não ter iniciado nenhum plano de adaptação à reforma. Entre as micro e pequenas empresas, o índice era praticamente o mesmo, 91%.

Simples Nacional e MEI só passam a informar IBS e CBS na nota a partir de 2027.

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