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Negócios

Nova arquitetura financeira coloca bancos centrais no centro da transformação digital

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Evento do Dinter em Frankfurt reúne autoridades do Brasil e da Alemanha para discutir PIX, tokenização, stablecoins e o papel da regulação diante da inovação exponencial

A digitalização do sistema financeiro tem ampliado o escopo de atuação dos bancos centrais e introduzido novas variáveis na formulação de políticas monetárias e regulatórias. Em Frankfurt, durante o o Regulation & Investment, organizado pelo Dinter – Diálogos Internacionais em parceria com a Goethe-Universität, autoridades monetárias e representantes do setor financeiro discutiram como a expansão de pagamentos instantâneos, open finance, tokenização e stablecoins demanda atualização contínua das estruturas de supervisão. O ambiente de maior competição e inovação tecnológica exige atenção redobrada à estabilidade e à segurança do sistema financeiro.

O painel sobre os desafios dos bancos centrais na economia digital reuniu Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, Michael Theurer, membro da diretoria do Deutsche Bundesbank, Gloria Guimarães, consultora em Open Finance, Gerrit Stehle, CEO da Elephant & Castle Capital, Bernhard Graf von Oberndorff, executivo do setor de fundos em Luxemburgo, e teve moderação de Alexander Kulitz.

Ao abrir as intervenções técnicas, o ex-presidente do Banco Central do Brasil, Roberto Campos Neto, concentrou sua fala nas mudanças estruturais que vêm alterando o funcionamento do sistema financeiro, com destaque para a expansão dos pagamentos instantâneos, o uso intensivo de dados e o avanço da tokenização de ativos. Para ele, essas transformações não ocorrem de forma isolada. A inteligência artificial atravessa todo o processo e tende a acelerar decisões, transações e modelos de negócio, ampliando a velocidade com que o sistema se reorganiza.

No caso brasileiro, a experiência com o PIX foi apresentada como instrumento de modernização da infraestrutura de pagamentos. O sistema foi concebido com capacidade de programabilidade, permitindo interação com contratos inteligentes. De acordo com o ex-presidente do Banco Central, a iniciativa contribuiu para ampliar o acesso ao sistema bancário e estimular novos modelos de negócio.

O avanço do open finance também foi destacado como etapa relevante na ampliação da concorrência e na portabilidade de dados financeiros. A possibilidade de compartilhamento estruturado de informações entre instituições tende a aumentar a comparabilidade de produtos e serviços. Campos Neto observou que o objetivo é permitir maior mobilidade do cliente entre instituições, preservadas as regras de consentimento.

Em relação à tokenização, afirmou que o tema ganha espaço no debate internacional, especialmente com a digitalização de ativos financeiros. As stablecoins, majoritariamente lastreadas em dólar, também foram mencionadas como fenômeno em expansão, sobretudo em economias emergentes.

Campos Neto disse ainda que a difusão desses instrumentos requer atenção quanto aos impactos sobre a intermediação bancária e a condução da política monetária. Nesse contexto, foi citado o desenvolvimento do Drex como alternativa baseada em depósitos tokenizados, com o objetivo de preservar a função de intermediação financeira. 

Pela perspectiva europeia, o membro da diretoria do Deutsche Bundesbank, Michael Theurer, afirmou que o debate sobre o euro digital avança em paralelo à consolidação do marco regulatório para criptoativos, ressaltando que a prioridade das autoridades monetárias permanece na mitigação de riscos à estabilidade financeira.

No campo da governança informacional, a consultora em Open Finance Gloria Guimarães chamou atenção para a necessidade de mecanismos de rastreabilidade, auditoria e clareza no consentimento dos usuários, defendendo que inovação tecnológica precisa caminhar acompanhada de instrumentos sólidos de controle e transparência.

Ao final do painel, foi ressaltado que o ritmo acelerado da inovação tecnológica impõe aos reguladores a tarefa de antecipar tendências sem comprometer a supervisão vigente. A avaliação comum foi a de que a cooperação entre autoridades e setor privado será determinante para ajustar marcos regulatórios às transformações em curso.

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