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Novo modelo tributário exige reorganização financeira do setor de transportes ainda em 2026

Gustavo Maffioletti - Créditos da foto: Divulgação

Gustavo Maffioletti - Créditos da foto: Divulgação

Fase de testes do split payment deve impactar empresas com prazos longos de recebimento e dependência de antecipação

Com a Reforma Tributária entrando em uma nova fase, o transporte rodoviário está em alerta com o início dos testes do mecanismo de split payment, modelo que prevê a retenção automática de parte dos tributos no momento do pagamento. A implementação plena está prevista para 2027, quando o valor referente à CBS e ao IBS será separado automaticamente quando o cliente efetuar o pagamento à empresa — em 2026, será retido 1%.

Atualmente, quando uma empresa de transporte recebe o pagamento de um embarcador, o valor integral entra no caixa e apenas depois, entre 10 a 30 dias, ocorre o recolhimento dos tributos. “Na prática, esse intervalo de tempo funciona como capital de giro embutido na operação, capital que sustenta antecipações, paga diesel da viagem seguinte e cobre o gap de prazo entre embarcador e fornecedor”, ressalta Gustavo Maffioletti, advogado especialista na área de tributos.

Ainda de acordo com Maffioletti, o setor precisa compreender que a mudança não será apenas operacional, mas também financeira. “O empresário do transporte costuma confundir caixa com lucro. O float tributário sustenta uma boa parte da operação corrente sem que o dono perceba. Quando esse mecanismo deixa de existir, o que era folga vira gap, e a empresa que não se prepara descobre o problema no terceiro mês de implantação, quando o caixa já está apertado e a renegociação bancária custa mais caro”.

Entre as empresas mais vulneráveis estão transportadoras com alta concentração de receita em poucos embarcadores, prazo médio de recebimento acima de 30 dias, frota financiada via FINAME e dependência recorrente de antecipação de recebíveis. Para essas operações, o split payment vai obrigar a renegociação do modelo financeiro inteiro. 

Maffioletti destaca que a preparação precisa começar o quanto antes. “O transportador que tratar isso como problema para 2027, vai sentir o impacto ainda em 2026. A virada de chave da estrutura financeira precisa começar agora, no plano e no contrato.”

Entre as medidas recomendadas pelo advogado especialista estão o mapeamento do tamanho real do float tributário absorvido pela operação, a estruturação de capital de giro permanente para substituir linhas rotativas de curto prazo e a revisão de contratos com embarcadores, antecipando o repasse parcial do impacto antes do próximo ciclo contratual.

Embora a Reforma Tributária não crie a vulnerabilidade do setor, ela expõe fragilidades já existentes. No transporte rodoviário brasileiro, onde o caixa é parte central da sustentação operacional, o custo de não se preparar pode aparecer antes mesmo da implantação definitiva do novo modelo.

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