Ícone do site Economia S/A

O amor servido à mesa: o episódio do Zen Vergonha em que Rodrigo Hilbert revisita origens e a relação com a comida

Rodrigo Hilbert, sócio da Timelens. Crédito da imagem: Gabriela Mo

Rodrigo Hilbert, sócio da Timelens. Crédito da imagem: Gabriela Mo

Em uma das conversas mais íntimas com Fernanda Lima, o apresentador revela memórias de infância, momentos de escassez e como a culinária transformou sua vida e carreira

No sexto episódio da temporada “O que te alimenta?” do podcast Zen Vergonha, a apresentadora Fernanda Lima recebe o marido e apresentador Rodrigo Hilbert para uma das conversas mais emocionantes e reveladoras que o casal já teve publicamente. Em determinados momentos, ambos se emocionam até às lágrimas — um reflexo da intimidade e do grau de exposição que os dois assumem ter alcançado ao longo do bate-papo. Em um diálogo sobre “Tempero de Família”, o casal reflete sobre como a comida ultrapassa o ato de nutrir para se tornar a linguagem central de amor, cuidado e construção de identidade ao longo das gerações.

Durante o episódio, Rodrigo relembra as raízes de sua relação com a culinária em Orleans (SC), cercado por mulheres que cozinhavam e mantinham a família unida. Entre as lembranças mais marcantes da infância estão o cheiro do fogão a lenha aceso pela avó, o barulho da colher de pau batendo na panela para dar o ponto da polenta e os cafés da tarde recheados de cucas, pães de milho e aipim. O apresentador conta que costumava ficar embaixo da mesa ouvindo a mãe, as tias e a avó trocarem receitas e contarem fofocas.

Em uma família onde o afeto era demonstrado por meio da preparação de um prato especial da ‘barriga cheia’. Hilbert aborda também os momentos de escassez e de que forma  a necessidade de dividir um único bife entre cinco pessoas (ele, os dois irmãos e os pais). A falta de recursos para ter roupas novas ou bicicletas o levou a começar a trabalhar aos 12 anos na ferraria do avô, onde juntava 15 reais para no fim de semana comprar a comida favorita: o x-salada com maionese do restaurante do Roga.

A virada de chave: do pânico nas novelas ao reencontro na cozinha

Um dos pontos mais reveladores da conversa traz a transição de carreira do convidado. Rodrigo relata que, após dez anos atuando em novelas na Rede Globo, enfrentou um período difícil marcado por crises de pânico, depressão e um momento crítico em que sofreu um apagão ao volante e bateu o carro. Foi Fernanda quem o incentivou a seguir o que realmente amava. 

Emocionado, ele descreve o momento da virada: “Eu senti uma palpitação no peito e eu não me sentia bem. Foi nesse momento que eu vi que não estava feliz no que eu estava fazendo. Aí me perguntei, pedi a tua ajuda (Fernanda), e você falou: por que você não faz o que você gosta? Cozinhar? Foi aí que eu me encontrei na cozinha, me encontrei no que eu realmente queria fazer”.

Foi assim que o apresentador gravou uma receita em casa e deu início a dez anos de sucesso à frente do programa Tempero de Família. Hilbert antecipa ainda que está preparando um novo projeto televisivo focado em culinária que unirá a cozinha ao seu primeiro ofício na ferraria, em um conceito no estilo ‘ferro e fogo’.

Legado, afeto e a comida como memória viva

A conversa também toca na criação dos filhos do casal — João, Chico e Maria —, ressaltando a importância do exemplo diário de ver um homem ocupando o espaço da cozinha com respeito e união familiar. Sobre isso, Rodrigo é direto: “A gente optou por dar exemplo, né? Então, eles me veem na cozinha desde que nasceram. Eu acho que em algum momento da vida deles isso vai ser útil, da mesma forma que ninguém me obrigou a cozinhar”.

Fernanda Lima destaca como os pratos e truques culinários funcionam como um legado que mantém viva a presença de quem já se foi. “Quando Rodrigo usa os truques da falecida mãe, Dona Susa, ou quando prepara o tradicional carreteiro da Dona Teca, minha mãe, as memórias e o amor delas continuam presentes na vida dos nossos filhos e família”, complementa.

O episódio encerra em tom emocionante com a reflexão trazida por Fernanda Lima sobre uma citação do chef Anthony Bourdain: “Comida é tudo o que somos. É uma extensão da sua história pessoal, da sua região, do seu bairro, da sua tribo, da sua avó. A comida é inseparável dessas coisas desde o princípio”.

Sair da versão mobile