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O brasileiro desaprendeu a comprar patrimônio?

Carlos Fuzinelli - Créditos da foto: Divulgação

Carlos Fuzinelli - Créditos da foto: Divulgação

Juros elevados e crédito mais caro fizeram muitos consumidores adiar grandes compras ou rever a forma de adquirir imóveis e veículos. Especialista explica por que o consórcio voltou ao centro do planejamento financeiro

O aumento do custo do crédito está mudando a forma como os brasileiros constroem patrimônio. Depois de anos em que o financiamento predominou como principal alternativa para adquirir imóveis e veículos, consumidores passaram a avaliar com mais atenção o impacto dos juros e buscar alternativas que permitam planejar a compra sem depender exclusivamente do crédito tradicional. Nesse movimento, o consórcio voltou ao centro do planejamento financeiro de quem pretende construir patrimônio no médio e longo prazo.

Para Carlos Fuzinelli, administrador, CEO e cofundador da FVL Consórcios, corretora especializada em consórcios e planejamento financeiro, essa mudança revela um consumidor mais atento ao custo total da aquisição do que apenas ao valor da parcela. “O brasileiro começou a perceber que patrimônio não se constrói apenas com acesso ao crédito. Quando o custo do dinheiro aumenta, muitas pessoas passam a comparar alternativas e entendem que planejamento também representa economia.” O executivo afirma que esse comportamento fortaleceu o papel do consórcio como estratégia para quem busca adquirir bens de forma planejada.

Dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (ABAC) mostram que o sistema ultrapassou, em 2026, a marca de 13 milhões de participantes ativos, o maior volume da história. Em 2025, o setor também registrou recordes de vendas, refletindo o crescimento da procura por alternativas ao financiamento tradicional em um período de crédito mais caro.

Consórcio volta ao centro do planejamento financeiro

Na avaliação de Fuzinelli, o crescimento da modalidade está diretamente ligado à mudança na forma como os consumidores organizam seus objetivos financeiros. Em vez de antecipar a compra por meio do financiamento, muitos passaram a priorizar estratégias capazes de reduzir o custo total da operação e preservar a capacidade de investimento ao longo do tempo.

“Durante muitos anos o consórcio foi lembrado apenas como uma alternativa ao financiamento. Hoje ele passou a integrar o planejamento financeiro de quem pretende construir patrimônio sem assumir imediatamente o custo elevado do crédito tradicional.” O especialista destaca que essa mudança demonstra um amadurecimento financeiro dos consumidores, que passaram a considerar o impacto de cada decisão no patrimônio futuro.

Segundo ele, o ambiente de juros elevados também incentivou uma análise mais ampla sobre a forma de adquirir bens. “A parcela continua sendo importante, mas ela deixou de ser o único fator considerado. Hoje existe uma preocupação muito maior em entender quanto aquele patrimônio realmente vai custar ao final da operação.” Fuzinelli ressalta que essa visão favorece escolhas mais conscientes e sustentáveis para quem deseja organizar as finanças no longo prazo.

Embora o financiamento continue sendo uma alternativa importante para quem precisa do bem de forma imediata, o executivo acredita que o consórcio passou a ocupar um espaço diferente nas decisões financeiras dos brasileiros. Mais do que uma opção de compra, a modalidade passou a integrar estratégias voltadas à formação de patrimônio, ao consumo consciente e ao planejamento financeiro.

Para Fuzinelli, essa tendência deve permanecer mesmo diante de futuras mudanças no cenário econômico. “O consumidor percebeu que construir patrimônio não depende apenas da facilidade de conseguir crédito, mas da estratégia utilizada para chegar até ele. O consórcio voltou ao centro do planejamento financeiro justamente porque oferece uma alternativa para quem deseja conquistar bens e ampliar patrimônio sem depender exclusivamente do financiamento tradicional”, conclui.

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