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O CEP da empresa já não define mais quem é seu concorrente

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A nova geografia dos negócios mudou as regras da competição e exige visão global até de empresas que atuam localmente

Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) indicam que o comércio digital já movimenta cerca de US$5 trilhões por ano no mundo. Na prática, isso significa que o CEP de uma empresa deixou de definir seus concorrentes. Hoje, os negócios locais disputam clientes, talentos, fornecedores e oportunidades em uma dinâmica cada vez mais global.

Como alguém que construiu sua trajetória empresarial entre Brasil e Estados Unidos ao longo de mais de três décadas, Franco Scornavacca, conhecido como Kiko do KLB, acompanha de perto essa transformação. Fundador da MD1 Nexus, empresa especializada em aceleração de negócios, conexões empresariais e expansão internacional, ele observa que a competitividade deixou de estar limitada à localização física das empresas e passou a ser determinada pela capacidade de acessar informações, relacionamentos estratégicos e oportunidades em diferentes mercados.

“Durante muito tempo, a localização era uma vantagem competitiva. Hoje ela é apenas um detalhe. O empresário pode estar em qualquer cidade do Brasil e disputar mercado com empresas de outros países, contratar profissionais que trabalham remotamente em diferentes continentes e acessar fornecedores globais com poucos cliques. A concorrência ficou internacional, mesmo para quem nunca exportou”, afirma.

Concorrentes que o empresário não vê

A transformação ganhou força nos últimos anos com a consolidação do trabalho remoto, da economia digital e das plataformas globais de comércio e serviços. O que antes dependia de presença física, estruturas locais e expansão territorial passou a acontecer por meio de conexões digitais capazes de aproximar empresas, consumidores e profissionais em diferentes países.

Segundo Kiko, a mudança não afeta apenas grandes corporações. Pequenas e médias empresas também passaram a disputar espaço em uma realidade mais ampla e complexa. “Muitos empresários ainda enxergam seus concorrentes apenas dentro da própria cidade ou região. Mas a realidade mudou. Hoje a disputa envolve atenção, relacionamento, reputação, capacidade de inovação e acesso a conhecimento. E tudo isso acontece em escala global”, diz.

Relatório da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) aponta que a digitalização continua ampliando o alcance do comércio eletrônico e acelerando a integração econômica entre diferentes mercados. Esse movimento reduz barreiras de entrada e amplia o acesso a oportunidades internacionais para empresas de diversos portes.

A mudança também alterou a forma como as oportunidades surgem. Um fornecedor estratégico, um novo parceiro comercial, um investidor ou até mesmo um profissional altamente qualificado podem estar em outro estado ou país, acessíveis por meio de conexões que antes dificilmente aconteceriam.

A visão global deixou de ser opcional

Para o fundador da MD1 Nexus, um dos principais equívocos cometidos por empresários é associar visão global apenas à abertura de operações no exterior. Segundo ele, a capacidade de compreender movimentos internacionais, identificar tendências e construir relacionamentos fora do círculo habitual passou a influenciar diretamente a competitividade dos negócios.

“Visão global não significa necessariamente ter uma empresa em outro país. Significa entender que decisões tomadas em diferentes partes do mundo podem impactar diretamente seu setor, seus fornecedores, seus clientes e suas oportunidades de crescimento. Que amplia repertório e conexões costuma identificar movimentos importantes antes do mercado”, afirma.

Na avaliação de Franco Scornavacca, essa transformação vem acelerando a busca por networking qualificado, missões empresariais, intercâmbios de conhecimento e inserção em ecossistemas internacionais de negócios. Para muitas lideranças, o objetivo deixou de ser apenas expandir operações e passou a incluir acesso a novas referências, modelos de gestão e oportunidades de desenvolvimento empresarial.

“As fronteiras econômicas ficaram menores. O empresário não precisa abandonar sua operação local para pensar globalmente. Mas precisa entender que a competição, as oportunidades e as tendências já não respeitam limites geográficos. Quem continuar olhando apenas para o próprio território corre o risco de enxergar as mudanças tarde demais”, conclui.

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