A decisão de compra de cosméticos no Brasil está cada vez mais sensorial. Fragrância, textura e experiência de uso passaram a influenciar diretamente a escolha do consumidor, que busca mais do que eficácia: quer transformar a rotina de cuidados em um momento de prazer e bem-estar. O perfume deixou de ser exclusividade da perfumaria e passou a fazer parte do dia a dia com body splash, hidratantes, esfoliantes e outros produtos que prolongam a experiência olfativa ao longo do dia.
Segundo a McKinsey, o mercado global de beleza deve crescer cerca de 5% ao ano até 2030, alcançando aproximadamente US$ 590 bilhões. A projeção considera quatro categorias principais: cuidados com a pele, cuidados com os cabelos, fragrâncias e cosméticos coloridos, que incluem produtos de maquiagem.
Para Camilla Clemence, gerente de Marketing da Bio Soft, marca de produtos corporais da Soft Hair, as fragrâncias passaram a desempenhar um papel emocional dentro da rotina de cuidados. “Hoje, o consumidor busca produtos que entreguem resultado, mas também despertem sensações positivas, tragam conforto e prolonguem a experiência de autocuidado. Esse movimento explica o crescimento de categorias como body splash, esfoliantes perfumados e hidratantes com alta fixação de fragrância, que permitem construir uma rotina olfativa completa”, afirma.
A Bio Soft tem acompanhado essa mudança no comportamento do consumidor e investido no desenvolvimento de fragrâncias, texturas e linhas completas de produtos. Atualmente, a empresa conta com 25 SKUs de esfoliantes, 4 SKUs de body splash e 3 SKUs de hidratantes corporais com forte apelo olfativo, além de extensões de fragrâncias de sucesso para linhas tradicionais, como Lisa Mão Ameixa e Lisa Mão Melancia. A linha Kids da Soft Hair, cujos primeiros produtos foram lançados em 2025, já conta com 10 SKUs que trabalham atributos sensoriais como fragrâncias frutadas, glitter, diferentes texturas e experiências divertidas de uso.
O desempenho olfativo também tem ganhado espaço no desenvolvimento de produtos capilares, com foco na explosão da fragrância durante o uso e maior permanência do cheiro nos fios. “O perfume deixou de ser apenas um atributo complementar da fórmula e passou a integrar o próprio desenvolvimento da experiência do produto”, destaca Clemence.
A linha Kids da Soft Hair é um dos principais exemplos de crescimento associado ao sensorial. A linha vem apresentando crescimento de vendas mês a mês e já representa aproximadamente 33% das vendas no canal alimentar. “Esse resultado mostra que produtos com forte experiência sensorial conseguiram ampliar sua presença para além das perfumarias e chegar também ao carrinho de compras cotidiano das famílias”, explica.
Já a linha Lisa Mão, uma das mais tradicionais da Bio Soft, ganhou extensões com as fragrâncias Ameixa e Melancia, que já apresentavam forte aceitação dentro do universo de Banho Premium da marca. Os produtos Lisa Mão com essas fragrâncias apresentaram crescimento de vendas de 65% na comparação com o último ano. “Esse desempenho reforça nossa percepção de que fragrância pode funcionar não apenas como um atributo sensorial, mas também como ferramenta de renovação de categorias mais tradicionais e estímulo à experimentação”, pontua.
Para a executiva, o desempenho das fragrâncias também varia de acordo com a região do Brasil. Nas regiões Norte e Nordeste, por exemplo, a marca observa uma performance melhor de fragrâncias mais intensas e marcantes. “Esse tipo de comportamento mostra que não existe necessariamente uma única preferência olfativa do ‘consumidor brasileiro’. Clima, hábitos culturais, ocasiões de uso e referências regionais também influenciam a relação que cada público desenvolve com fragrância. Por isso, trabalhar com variedade é estratégico: diferentes intensidades, famílias olfativas e experiências permitem que o consumidor encontre produtos que conversem melhor com seu gosto e sua rotina”, conclui.

