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O crédito do futuro é mais inteligente, inclusivo e personalizado — e o Brasil está pronto para liderar essa transformação

Fotógrafa - Vivian Koblinsky
Bruno Chan, CEO e Cofundador da klavi
Fotógrafa – Vivian Koblinsky Bruno Chan, CEO e Cofundador da klavi

Por Bruno Chan, CEO e Cofundador da klavi

Nas últimas décadas, o acesso ao crédito no Brasil evoluiu, mas não na velocidade que o consumidor — e o mercado — exigem. O modelo tradicional, baseado em dados históricos restritivos, deixa de fora milhões de brasileiros com capacidade de pagamento, mas sem histórico bancário robusto. Isso, felizmente, está mudando.

Com o avanço do Cadastro Positivo e, sobretudo, a consolidação do Open Finance no Brasil, vivemos um ponto de virada. Pela primeira vez, temos a chance real de construir um sistema de crédito mais justo, com base em dados transacionais, padrões de consumo e modelos preditivos que analisam a movimentação financeira em tempo real. É o crédito do futuro, baseado em inteligência e inclusão.

A combinação de dados alternativos — como os captados por birôs de crédito, transações via Open Finance e consumo recorrente — permite um retrato muito mais fiel do perfil de risco de cada consumidor. Isso viabiliza não só decisões de concessão mais seguras, mas também ajustes contínuos de limite de crédito com base na capacidade de pagamento real, e não apenas em critérios fixos e ultrapassados. Esse tipo de dado revoluciona a jornada de crédito, possibilitando o acesso para públicos antes negligenciados — autônomos, informais e pequenos empreendedores.

A IA preditiva tem papel central nesse movimento, auxiliando na limpeza, organização e análise de dados com muito mais agilidade e precisão do que seria possível manualmente. Com machine learning, conseguimos treinar modelos que identificam padrões e preveem comportamentos, permitindo que instituições financeiras tomem decisões rápidas e embasadas.

Além disso, a customização de produtos financeiros se torna viável quando aliamos IA à análise de dados. Ofertas são personalizadas não apenas com base em histórico, mas considerando o momento de vida, as necessidades específicas e até o comportamento digital do usuário. A próxima fronteira é a hiperpersonalização com GenAI (IA Generativa), que permitirá experiências financeiras únicas e contextualizadas em tempo real. Imagine uma instituição financeira que entende suas preferências, hábitos e objetivos e é capaz de oferecer o produto certo no momento certo — com linguagem, canais e abordagens sob medida.

Apesar do potencial, muitas empresas enfrentam desafios na integração de dados alternativos e uso de IA. A escalabilidade só é possível com infraestrutura tecnológica robusta e APIs bem desenhadas, capazes de processar e interpretar grandes volumes de informação em tempo real. Além disso, a falta de mão de obra especializada em IA e ciência de dados no Brasil ainda é um gargalo. Companhias que desejam competir nesse novo mercado precisarão investir em formação de times, cultura orientada a dados e parcerias estratégicas com empresas que já dominam essa tecnologia.

O caminho está traçado: um mercado financeiro que usa IA e dados para conhecer melhor seus clientes, automatizar processos repetitivos com agentes de IA e oferecer produtos que realmente fazem sentido. Mas isso só será possível se as empresas colocarem a pessoa no centro — com ética, transparência e responsabilidade no uso das informações. O Brasil tem desafios, mas também tem uma vantagem competitiva: uma população digitalizada e um ecossistema de Open Finance que é referência global. Com inteligência, colaboração e foco no consumidor, podemos liderar essa nova era do crédito — mais justo, mais acessível e mais eficiente para todos.

O crédito do futuro será movido por dados, inteligência artificial e, acima de tudo, por empatia com o consumidor. Um mercado financeiro que entende o contexto de vida de cada indivíduo, adapta produtos em tempo real e automatiza processos com eficiência não apenas reduz riscos, mas amplia oportunidades. Ao colocar o cliente no centro e aliar tecnologia a uma visão humana, é possível transformar o crédito em um verdadeiro motor de inclusão financeira.

Com uma população digitalizada, um ecossistema regulatório maduro e uma cultura de inovação crescente, o Brasil tem as condições ideais para liderar essa transformação. Não se trata apenas de evoluir tecnologicamente, mas de redefinir o papel do crédito na vida das pessoas. Quem entender isso agora, estará não só preparado para o futuro — mas ajudando a construí-lo.

*Bruno Chan é CEO e cofundador da klavi, uma das empresas pioneiras do Brasil com inteligência de dados que ajuda outras empresas a tomar decisões baseadas em informações dos extratos bancários, utilizando a tecnologia do Open Finance. Ele é formado em Administração pela Universidade de Tampa (EUA), com MBA Global pela Universidade de Tsinghua (China) e pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Teve passagem em um fundo de venture capital, viveu na China durante 8 anos e teve seu primeiro empreendimento aos 23 anos.

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