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O custo oculto que está corroendo os lucros do comércio eletrônico

Wagner Righetti - Créditos da foto: Divulgação

Wagner Righetti - Créditos da foto: Divulgação

Enquanto empresas investem para vender mais, falhas invisíveis na operação logística passaram a comprometer margens, eficiência e capacidade de crescimento

O comércio eletrônico brasileiro segue em expansão, mas a preocupação de muitas empresas já não está apenas no aumento das vendas. Em um ambiente de crédito mais caro, custos operacionais elevados e concorrência crescente, a preservação da rentabilidade passou a ocupar espaço central nas decisões estratégicas. Nesse contexto, gestores começam a direcionar atenção para despesas que nem sempre aparecem nos relatórios financeiros com a mesma clareza que marketing, tecnologia ou aquisição de clientes.

Uma dessas contas está na logística. Embora o frete exibido ao consumidor seja frequentemente tratado como fator decisivo para a conversão de vendas, especialistas apontam que parte relevante da perda de margem acontece nos bastidores da operação, em decisões relacionadas à escolha de transportadoras, definição de regras de envio, roteamento de pedidos e gestão da distribuição.

Para Wagner Righetti, especialista em tecnologia aplicada à logística, transporte e automação operacional na Orange Envios, empresa especializada em gestão logística e inteligência de fretes para operações de comércio eletrônico, o tema ganhou relevância à medida que o setor passou por um processo de amadurecimento. Segundo ele, depois de um período em que a prioridade era crescer rapidamente, muitas empresas passaram a perceber que vender mais não significa necessariamente lucrar mais.

“Em diversas operações, o problema não está na capacidade de gerar vendas, mas na dificuldade de preservar margem. Existem custos logísticos que se acumulam silenciosamente ao longo do tempo e acabam impactando o resultado financeiro sem que a origem seja identificada de forma imediata”, afirma.

O movimento acompanha uma mudança mais ampla no mercado digital. Se antes a expansão acelerada era o principal indicador de sucesso, hoje a busca por eficiência operacional ganhou protagonismo. Empresas passaram a analisar com mais profundidade fatores que afetam a sustentabilidade do crescimento, desde custos de aquisição de clientes até despesas ligadas ao atendimento, armazenagem e distribuição.

A logística deixou de ser vista apenas como uma etapa operacional para se tornar uma variável estratégica do negócio. A forma como os pedidos são processados, distribuídos e entregues pode influenciar diretamente indicadores de rentabilidade, experiência do consumidor e capacidade de expansão.

Entre os problemas mais comuns observados nas operações estão a escolha inadequada de transportadoras para determinadas regiões, ausência de regras específicas por peso e cubagem, excesso de reentregas, baixa integração entre sistemas e falta de acompanhamento dos indicadores logísticos.

Embora cada ocorrência pareça pequena de forma isolada, o efeito acumulado pode representar perdas significativas ao longo do ano, especialmente para empresas que operam com margens mais apertadas.

Outro aspecto que passou a chamar atenção dos gestores é o impacto da logística sobre a jornada de compra. Prazos inconsistentes, atrasos recorrentes e falhas de entrega afetam não apenas o custo operacional, mas também a satisfação do cliente e os índices de recompra.

“Durante muito tempo, a logística foi tratada apenas como um centro de custo. Hoje ela influencia diretamente a competitividade da empresa. A eficiência da operação passou a ter impacto sobre a experiência do consumidor, a rentabilidade e até a capacidade de crescimento da operação”, afirma Righetti.

A crescente adoção de ferramentas de automação, inteligência de dados e plataformas de gestão logística reflete essa mudança de visão. Em vez de analisar apenas o valor do frete, empresas passaram a considerar indicadores como taxa de entrega, desempenho regional, índice de ocorrências e previsibilidade operacional.

Para especialistas do setor, a tendência é que essa transformação se intensifique nos próximos anos. À medida que o comércio eletrônico amadurece e a disputa por margem se torna mais acirrada, operações capazes de combinar crescimento e eficiência tendem a ganhar vantagem competitiva.

Nesse novo cenário, a logística deixa de ser apenas o caminho percorrido pelo produto até a casa do consumidor. Ela passa a ocupar uma posição cada vez mais estratégica na capacidade das empresas de crescer de forma sustentável e proteger seus resultados financeiros.

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